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Te espero lá

Adoro essa revista. Besteira. É tão ruim quanto qualquer outra. Hoje, terça-feira, 2, dezembro, calor infernal. As ruas cheias de gente com sotaque diferente. Na hora do almoço, ele estende o mapa da cidade sobre a mesa e, com o indicador, passeia por vias que desconhece. Tem cara de bobo. Ela também. Turistas têm caras de idiotas aonde quer que vão. Soa estúpido perguntar ao vendedor onde fica localizado o cinema da cidade. O mesmo que 99% da população conhece. Menos você, turista. Faz três dias não posso comer direito. Sinto dores na barriga constantemente. Elas começam devagar, mudam de lugar, logo se intensificam e, quando percebo, estou fazendo caretas no banheiro. É batata. Quer dizer, não é batata. Batata é sentir a mesma coisa há três dias. Não sei por quê. Minha alimentação é a mesma. Exceto pelos sanduíches, os litros de refrigerante que venho ingerindo e as horas passadas sem comer ultimamente. Fora isso, estou bem. Não consegui me formar agora. Todos da turma passaram na mi...

Kill them!

Deus!!! Enquanto isso, estou aqui vendo se consigo comprar uma camiseta branca, básica, com 2010 escrito em dourado, e uma calça folgada, do tipo que nos deixa masculinamente livres para andar nas festas de final de ano sem qualquer preocupação com a pomada do dia seguinte. E ainda: um presente, básico, aviso, para ela, ela, a AndoRi-nh-A .

Give me a salad, please...

Tudo bem. Vamos aos fatos da semana. Finalmente vi Distrito 9 . Li muita besteira sobre o filme nesse tempo todo em que estive humanamente hesitando entre ver e não ver. Acabei vendo. E gostando. Acho que traz novidades. Usa muito bem recursos dos videogames. Jogos de tiro em primeira pessoa, essas coisas. Gosto dos efeitos. A nave suspensa sobre a favela parece realmente suspensa. Os alienígenas são críveis. Ele é rápido, certeiro. Não gosto do começo: como notificar 1,8 milhão de ETs batendo de porta em porta? Não entendo. A abordagem é falsa. Os aliens são fortes, grandes, arrancam um braço como se estivessem despetalando uma flor. E não havia tantos policiais acompanhando quem entregava as correspondências. Um detalhe que poderia ter melhorado. Outro ponto: a leitura política é rasteira. Bem rasteira. Por que tanta gente superestimou a política? O que vale é: a narrativa. Como é narrado o caso. Como são expostos os personagens. Se os ETs podem ser vistos como negros segregados... N...

NEVER Morre... Never MORRE!

Muito cuidado com os comentários, minha gente. Não quero ser processado. Sequer tenho a décima parte do que pede a justiça no caso Emílio Moreno. Portanto, contenham-se. Não falem tanto. Não sejam baixos. Nem vulgares. Não ataquem pelas costas. Não firam egos. Não exultem quando os seus inimigos acharem que a vida já não tem sentido algum. Enfim. Sejam cordatos. Sejam finos. E assoviem quando pisarem nos seus pés. Estou aqui, andando, andando. Correndo quando o apito soa histérico. E andando quando há brisa, e a pressa é apenas hábito incurável. Aviso logo: ontem fui ao TJA. Vi aquela peça. Do italiano que mudou radicalmente os paradigmas do teatro cartesiano, estabelecendo pontes sólidas entre o movimento uniforme e a física quântica, construindo noções antitéticas entre poesia, futebol e videogames, invocando arquétipos enterrados por camadas espessas de desumanização ao longo dos tempos. Digo também: não entendi nada. Achei bastante chata. E quase tive a maior crise de risos da minh...

ABsolutamente nada

Duas coisas. Ter obrigações é chato. É verdadeiramente doentio. PARÊNTESES: estou no tempo dos advérbios. Só agora descobri: têm uma função belíssima na língua portuguesa. Dão ares de profundamente, de absolutamente refletidos. Ares, ares. São ares. Talvez não digam nada quando enfileirados. Seguidamente. Adverbiais. Acordar no mesmo horário. Dormir sempre no mesmo horário porque no dia seguinte você deverá levantar às 5h30, apanhar o ônibus que passa às 6h45. Finalmente, chegar ao trabalho às 7h30. Doentio. Absolutamente. Depois, talvez nada pudesse funcionar direito, sem grandes erros, se fosse diferente. Se não tivéssemos obrigações. Por ora, por ora. Quero depredar residências. Lembrando: amanhã recomeça tudo. Tudo. Tudo. Tudo bem, vamos lá.

De modo que...

Nem sempre o domingo é engraçado. Quase nunca é. Pode ser cansativo, exaustivo mesmo, mas jamais engraçado. Hoje não seria diferente. Principalmente quando: 1. Você acorda, prepara café, toma banho, veste-se. Bebe o café, come alguns biscoitos. Depois, lembra que, um dia antes, enquanto olhava o interior da garrafa como se procurasse ali respostas para todas as perguntas que açoitam a raça humana - existe água na Lua? Por que o Coiote nunca conseguiu capturar o Papa Léguas? -, ela havia adivinhado o manual. Molhado. Aos pedaços. Ainda cheirando a café. 2. Enquanto se prepara para sair, caminhar um pouco, ouvir os barulhos de uma rua sem movimento num domingo de novembro, um sexto sentido enferrujado vomita a informação: você não está só. No topo do edifício vizinho, um urubu sorri. Sacode levemente as asas. Venta bastante. De modo que ele balança pra lá e pra cá. Penso que vai cair. Não cai. Vou embora. O urubu permanece imóvel. Sendo assim, melhor dar tudo por encerrado. Voltar pra c...

LISTAS, LISTAS, LISTAS

Se é pra dizer... ME SINTO lento. Lentamente, movimento braços e pernas. Caminho sem pressa. Penso devagar. Não sei o que é. A alimentação é a mesma. Menos leite, mais café, menos suco, mais macarrão. E uns biscoitos de coco bem doces. Exatamente os mesmos que comia quando era criança. Sentava de frente para a televisão esperando o desenho animado. Encostava o copo com leite no chão, amassava os biscoitos com a colher. E comia tudo. Sem internet. Sem leituras no domingo. Mais livros. Acho que é isso. Umberto Eco nos diz: fazer listas equivale a tentar enganar a morte. Quero listar as coisas que me incomodam no momento: a faculdade, o jornalismo, a literatura. Três coisas. E uma outra: a pessoa. Das quatro, detestar a pessoa é a que mais me surpreende. Porque tem a ver diretamente comigo. É pessoal. Uma diatribe que tenho. Sendo claro, evidente: você é uma linha, uma curva. Você é qualquer coisa. Quer rearranjar essa coisa que é você, mas não consegue. Pergunta-se: posso? Eu realmente p...