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Mostrando postagens de junho 17, 2025

Costumes de aldeia

Há dias me vi enfastiado com os hábitos da aldeia, ou seja, o traço passivo-agressivo mal dissimulado de conversas privadas que não se tornam públicas, as entrelinhas do palavreado que jamais ousa dizer o seu nome, os malabarismos retóricos para fazer prevalecer certa acomodação política buarquiana na qual os interesses, por conflitantes que seja, mantêm-se festivamente. Nessa república cabocla de “nebobabys”, tudo se passa como se reinasse a sensaboria, nada de novo acontece, as tensões apaziguadas e as nervuras, contidas. Mesmo os ímpetos e os jogos concorrenciais de poder se dissimulam no quadrante cearense. É coisa de época, da cultura ou do contexto? O intelectual se expressa, por exemplo, lançando mão do verbo e do repertório, mas a gramática recobre tudo de uma penumbra arestosa, não se sabe do que fala – mais ou menos como faço agora, quando se pode supor que ou se trata disso ou daquilo, deste ou daquele, desta ou daquela. Um professor mais antigo costumava dizer que é uma mar...