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Mostrando postagens de janeiro 13, 2019

Tudo que aprendi jogando videogame

A fase da máquina  Sem razão, lembrei da “fase da máquina” de um jogo antigo, o Kid Chameleon , do console de 16 bits Mega Drive, uma geração à frente do que ganhara do pai no aniversário de 10 anos. Fase da máquina era como chamávamos genericamente uma das etapas mais difíceis desse jogo interminável. Começava assim: uma parede formada por peças metálicas pontiagudas que giravam ameaçadoramente passava a se deslocar da esquerda para a direita, estreitando cada vez mais o espaço do personagem, um garotinho cujo maior poder era transmutar-se, assumindo um avatar entre um número limitado à sua disposição. Então tinha início a fase na qual a gente – eu, no caso – precisava correr, saltar obstáculos, vencer inimigos, partir blocos de concreto com minha cabeça, tudo isso tendo em meu encalço essa parede maciça que ocupava a tela da televisão de cima até em baixo, movendo-se lenta mas inexoravelmente em minha direção. Esse é o motivo pelo qual eu sempre detestei a fase da m

Sem título (trecho)

Dia 2  Mais 24 horas de cão, leio nos jornais. Estou de férias, então passo a maior parte do tempo jogando videogame. Só paro mesmo se a Leila me telefona ou manda mensagem, aí eu guio meu personagem até um lugar mais ermo, uma moita ou o alto de uma montanha, e o escondo lá, fora do alcance das flechas das tribos hostis e das investidas dos dragões. Leila pede que fique com a Clarinha naquele dia, apenas naquele dia. Explica que precisa resolver algo com alguém em algum lugar. Eu assinto, não faço caso. A cidade está parada, você sabe, falo de maneira que Leila não possa jamais confundir uma genuína apreensão com má-vontade ou talvez pretexto para não ficar com nossa filha. Ela bufa de leve do outro lado da linha, eu digo “tá ok, pode vir”, ela se despede com um “tchau” seco. Desde a separação, alternamos dias da semana com a Clarinha – às terças e quintas comigo, às segundas e quartas com ela. Na sexta, com a avó – no domingo, com a minha mãe. Sábado é livre, normalmente