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Mostrando postagens de novembro 29, 2010

Uma carta como todas as cartas

Não sabia: era uma carta de despedida, uma carta de boas vindas, uma carta de cobrança, uma carta de intenções ou uma carta de amor? De todo modo, sentiu que deveria escrevê-la, e foi o que fez. Às 11h11, tomou o papel, soltou o papel, ligou o computador, fez café, sentou-se, pegou uma almofada, assentou as costas, tirou a sujeira dos pés, lavou as mãos, sentou-se novamente, desvestiu a camisa, pôs as sandálias, descalçou as sandálias, ouviu música, falou no telefone com uma amiga da escola. Só então pensou que não tinha razão para dizer o que quer que fosse dizer, que a natureza do tempo dispensara as cartas, que agora nada carecia de notas de rodapé, e mesmo essa constatação não seria suficiente para demovê-lo do intuito de escrever uma carta naquela noite. E mesmo a temperança de uma vida cheia de percalços não parecia ter valido de nada, ele estava convencido de que somente uma carta, seja de que natureza fosse, o salvaria do desespero que era encarar a cama encostada na parede e o