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Mostrando postagens de janeiro 23, 2014

Para que lado fica o lado certo?

Estive tão longe que não pude sequer acenar. Quando virei na décima quinta esquina, já não sabia para que lado ficava a casa, a porta certa, a janela de moldura verde, a fachada rosa, a árvore na calçada, o telhado, o portão enferrujado, os brinquedos na caixa, as roupas na gaveta, a fenda aberta no meio da rua e dentro da fenda os monstros que saltavam e engoliam quem se atrevesse a olhar bem lá dentro. Quem olha bem lá dentro, escuta os monstros sentenciarem, escorre suave pela boca do vazio.  Sei que caminhava e ia adiante, o que nem sempre quer dizer a mesma coisa – quase nunca quer dizer. Ninguém reparava que não houvesse rumo certo e que as mudanças de sentido fossem tão aleatórias quanto os voos de alguns pássaros e o tropeço dos bêbados. Não importava que em casa o pai chorasse e a mãe acorresse à vizinhança pedindo ajuda. Por favor, meu filho desapareceu. Preciso encontrá-lo, e me encontrar talvez não significasse mais pra mim do que pra ela.  Sozinho, fardamento