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Mostrando postagens de novembro 12, 2021

Tá querendo chover

  “Tô querendo gripar”, “tá querendo chover”... Há um uso particular da locução verbal “estar querendo”, empregada para denotar falsa vontade, não um desejo, mas o contrário. Afinal, ninguém quer adoecer, tampouco a chuva é expressão do arbítrio, de escolha, mas fenômeno climático que de repente se precipita, queira-se ou não. E, no entanto, usamos como quem admite aspiração secreta, fruto de sabe-se lá que forças íntimas que nos levam a querer até mesmo o que não devíamos, o que nos faz mal e, em última análise, deveria permanecer longe, como uma gripe. Mas é assim com a língua, logo estamos por aí falando de um jeito que anuncia não a doença, mas seu começo. Como se farejássemos o início de algo, que ainda não está ali, mas já está. Presente nesse estar querendo, que, de tão esticado na ação, que se anuncia para logo, embora não se saiba ao certo para quando, vai adiando o fato em si, seja ele bom ou ruim. Estar querendo é mais desejo do que coisa real? Não sei, mas, no falar da gent