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Mostrando postagens de setembro 11, 2009

Pedras nas mãos

O dia certo, o dia certo para errar e mesmo desejando fazer girar o trinco da porta do banheiro ou entrar por acaso no quarto e protegendo os olhos contra a luminosidade incandescente das horas enxutas desmanchar aquele bolo de roupas sujas e encontrar nele uma chave. A mesma chave que abre a porta secreta escondida atrás do guarda-roupa. É lá que costuma encerrar os arcanos domésticos, é para lá que se dirige sempre que algum disco-voador dispara raios. Feito pássaros de fogo, feito andorinhas nucleares, esses raios o perseguem dia e noite, noite e dia, e mesmo que haja levado a vida inteira ensaiando passos e discursos não há saída. Quase nunca há saída, conclui enquanto do outro lado da mesa ela mastiga uma folha de alface e sorri luzidia. Assim, resta a porta, que ele abre febrilmente. Deitada na cama ela finge dormir mas olha de longe, longe, longe, confundindo o personagem sorrateiro com o mesmo coelho branco que promove estripulias no reino encantado de Alice, mas ela sabe ainda

"Não dispenso artista contemporânea"

Finalmente, a terceira entrevista da série. Até agora, dois canastrões e uma canastrona. Um espetacular e antológico volume de perguntas disparatadas respondidas seriamente por três personalidades anônimas da cultura cearense. Mesmo distante dos holofotes, eles mobilizam, agitam, pintam e bordam. Levam uma vida vertiginosamente vibrante? Nem tanto. Pedro Rocha, 23, é estudante. Formado em jornalismo, vasculha a obra de Mário de Andrade num curso de mestrado da Universidade Federal do Ceará. Além disso, o que faz por lá? Pouca gente sabe. Pode ser visto diariamente no conjunto seboso de bares que integram o boêmio Benfica. Rocha é crente. Já foi ateu, mas hoje tem os pensamentos mais puros voltados para qualquer coisa cuja força e humor acredita governar o destino de mais de seis bilhões de pessoas around the world . É torcedor do Ferroviário. No almoço, prefere cajuína a outros refrigerantes. Se bebe até de manhã, toma café no mercado São Sebastião. Joga videogame mais que qualquer um