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Mostrando postagens de abril 11, 2012

Obituário de Millôr Fernandes (revista 'piauí', abril)

Pôr do sol em Ipanema Humor do Méier ao Arpoador por MARIO SERGIO CONTI Numa conversa de fim de noite, falou-se de morte. O tom era sorumbático até que Millôr Fernandes, com mais de 80 anos, contou como desejava que fosse a sua: “Quero morrer com três tiros no peito, disparados pelo surfista que me pegou na cama com a namorada dele.” O chiste é engraçado e verdadeiro: ele queria morrer no auge, numa delinquência safa e na contramão dos bons costumes. O senso comum recomenda que octogenários fiquem em casa de bermudão, tomando sopinha, vendo o Faustão e dispensando conselhos dispensáveis às jovens gerações. Já Millôr queria se entreter – e aprender – nos braços de uma beldade em flor vinda da praia. Morrer assim seria bom. A conversa foi num restaurante na praça General Osório, perto do seu estúdio e a algumas quadras do seu apartamento. Tudo em Ipanema. Millôr não era brasileiro, sequer carioca. Era um ipanemense que sentia saudades da beira-mar já na Via Dutra, ele dizia, adaptando