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Mostrando postagens de junho 17, 2011

Prateleiras

O supermercado me interessa. As prateleiras, os caixas, as filas, o carrinho de compras, as revistas presas por elásticos nas gôndolas, os bombons largados em cima de toalhas, as pilhas do tipo AAA, os refrigerantes, os sucos de laranja e as TVs de tela plana, as bicicletas, a borracha dos pneus, os desinfetantes e as sanduicheiras. Tudo me interessa, tudo convoca, e por convocar entendam convidar a que qualquer possibilidade transija e suceda bem diante de nossos narizes. Tudo poreja, tudo inspira e expira, mas, a um segundo olhar, tudo definha e se esvai. Tudo é fraude, tudo é lama e linguiça toscana. De modo geral, paro de olhar antes de chegar a esse ponto crítico. Posso parecer decidido, não sou, e desconheço igualmente as razões que me movem até lá e, estando lá, fazem querer permanecer por uma fatia de tempo fora do comum, um estirão de minutos que mesmo a dona de casa mais afetuosa e dedicada julgaria por certo exagerado, visto que há coisas no seu próprio lar que necessita