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Mostrando postagens de setembro 3, 2009

A triste porém verdadeira história do soldado

Andorinha, Andorinha. Se me diz, se me diz sem dúvida alguma expressa nos olhos não haver rumor algum de chance, não haver dinheiro nem mesmo paciência, eu te digo puramente formal, formalmente relaxado, digo sem medo das brigas infantis que agora mesmo parecem salpicar aquela história tão curta que tua avó sempre sempre contava, você ainda lembra? Ela dizia do jovem casal que se queria mais que tudo. Até que ele morreu na guerra – que guerra? – e ela logo depois de tanta tristeza, tanta que ela, a jovem senhora morena ou branca mas de cabelos definitivamente castanhos ondulados, a jovem senhora sequer podia agüentar-se quando de manhã o galo cantava solitário. Sendo assim, Andorinha, te digo fartamente agora, antes que morra, antes que parta: te quero perto. Bem perto. Te quero confundida em mim.

Que fazer com esse dinheiro?

Somem os valores de cada prêmio e me ajudem a calcular. Duzentos do São Paulo, cem do Portugal Telecom. E agora mais cem de Passo Fundo. Fora os prêmios da Bravo! e da APCA. Acho que nunca na história deste País alguém ganhou tanto dinheiro com um único livro. E não estamos falando das vendas, mas apenas do bolo que ganhou nos prêmios a que concorreu. E se, a essa altura, alguém ainda não leu O filho eterno ... Paciência. É porque no Brasil escritor não vai conseguir ser pop nunca.

Ele não sabia que ela não sabia - ou que fingia não saber

Não estou ali. Não me vejo nele. Estou falando do texto. É porque não está. Não há A. nele. Não? É complicado, mas vou tentar explicar. Sou toda ouvidos. Não há... Mas há. É tudo que tenho a dizer. Tudo? Tudo mesmo. Vou embora. Ainda não. Agora. Já? Sim. Quero espaço. Preencher. Ocupar todos os vazios, os nichos, os segmentos, as vertentes. Como no problema de matemática ser a área hachurada. E a não hachurada também. Integrar todas as variáveis possíveis. Ser tudo? Tudo. E sempre. Impossível? Quem sabe. Mire, veja: A., você tem tudo isso, mas custa a perceber. Esbarra nos pontos. Nas insignificâncias. Nas pequenas depressões do terreno. Talvez. Continuando... Não vê que além das pequenas, há as grandes, as maiores, e é exatamente nessas que você se esconde, é nessas que você se revela. Como uma entidade mística do deserto. Como um lagarto que sobrevive do que quer que seja. Ou uma águia. Um fosso. Um poço. Tanta coisa diferente, sem nexo, sem propósito. Tanta coisa descabida. Tudo tem

Eyes

Voltando a falar dos livros. De uma tacada, na mesa há O imitador de vozes , Monstros Invisíveis e O projeto Lazarus , três bons livros. Completam a lista O contorno do Sol e Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos . Não sei que fazer. A lista cresce. Eu diminuo. Por enquanto, é isso. Ler. Dormir. Escrever. Pensar na monografia. Voltar a dormir. Fumar. Ver televisão sem volume. Escrever umas páginas da monografia. Fumar novamente. Andar no corredor. Falar ao telefone. Escrever de novo. De segunda a sexta-feira. Nos fins de semana, tudo muda. Desço da árvore. Há algum tempo, quando queria ajuda, pressionava o botão A do joystick. Hoje não preciso. Ela vem sem convite. Porque sequer existe um. Porque não precisamos de um. Dormir. Gosto da televisão sem volume. Experimentem. Pessoas dançando, apresentadores falando, cachorros brincando, grupos musicais divertindo platéias que aplaudem entusiasmadamente. Mas sem som. Nada de som. Apenas IMAGEM. Apenas. Braços, pernas, cabeças, tronco

Mergulhem fundo, sim

O mar não está pra peixe. Nem pra qualquer outra espécie, viva ou morta. Dos ares ou da terra. Nunca falei tão sério. Nunca fui tão enfático. Gasto agora toda a ênfase do mundo. Viver está complicado. Mas, se há algo que nunca pretendi com esse blog foi resmungar. Certo: durante algum tempo, foi o que mais fiz. Falei mal de tudo, de todos. Ninguém me lia. Havia gatos pingados, amigos escassos, comentários ocasionais. Hoje não é tão diferente. Entretanto, não desejo retornar ao estágio de larva. Quero mudança. Conversão irreversível a um organismo superior. Hoje é quinta-feira, o melhor dia da semana. Saibam aproveitar.