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Mostrando postagens de agosto 27, 2025

Mandem áudio

  Sim, mandem áudio, evitem escrever, prefiram a pessoalidade da fala à impessoalidade da escrita, permitam que seu interlocutor perceba as tonalidades da sua voz, as ranhuras e os ruídos, a aflição e a hesitação, o medo e a ansiedade só transmitidos pela elocução oral.  Mandem áudio, por favor, sobretudo quando for totalmente desnecessário, nessas ocasiões banais, abrindo a geladeira ou assoando o nariz, dentro do banheiro ou na parada do ônibus, áudios para tudo e para nada. Áudios de cinco segundos e de três ou dez, áudios tartamudeantes, onomatopaicos, áudios com balbucios numa frequência inaudível, áudios gaguejados, vencidos, derrotados.  Áudios de súplica e de explicação, de fúria e som, de gozo e ardor. Não se acanhem nem caiam nessa de que o áudio é inconveniente. Não é, o áudio é sempre adequado, nunca se atrasa nem chega antes, nunca inoportuno ou constrangedor, o áudio é o que é, tautologicamente falando. Há o áudio do pensamento alto, solto, um ensaio oral e ...