Sim, mandem áudio, evitem escrever, prefiram a pessoalidade da fala à impessoalidade da escrita, permitam que seu interlocutor perceba as tonalidades da sua voz, as ranhuras e os ruídos, a aflição e a hesitação, o medo e a ansiedade só transmitidos pela elocução oral.
Mandem áudio, por favor, sobretudo quando for totalmente desnecessário, nessas ocasiões banais, abrindo a geladeira ou assoando o nariz, dentro do banheiro ou na parada do ônibus, áudios para tudo e para nada.
Áudios de cinco segundos e de três ou dez, áudios tartamudeantes, onomatopaicos, áudios com balbucios numa frequência inaudível, áudios gaguejados, vencidos, derrotados.
Áudios de súplica e de explicação, de fúria e som, de gozo e ardor.
Não se acanhem nem caiam nessa de que o áudio é inconveniente. Não é, o áudio é sempre adequado, nunca se atrasa nem chega antes, nunca inoportuno ou constrangedor, o áudio é o que é, tautologicamente falando.
Há o áudio do pensamento alto, solto, um ensaio oral e sonoro que vai se costurando e assumindo uma forma informe à medida que o tempo passa.
Um áudio de gargalhada, nada mais, nada menos, só o riso registrado da pessoa que talvez até pretendesse dizer algo, mas se quedou impotente ante a força maior da graça de uma piada sequer contada, mas já risível.
Um áudio de DR, cheio de tensão, modulado, com altos e baixos, começa torpedeando e termina implorando porque sim, por favor, não faça isso.
Um áudio enigmático, impeditivo, riscado, sublinhado.
Um áudio extraviado, errado, errante, vacilante, incompetente e soluçante.
Um áudio sussurrado, soprado, áudio de quem conta uma conversa encurtando a distância, como se dissesse: agora chega aqui que preciso lhe dizer algo realmente importante.
Áudios de trabalho, verdadeiros tutoriais para a vida laboral, explicando toda sorte de procedimentos e tarefas a cumprir num prazo X, durante o qual você terá esta ou aquela opção, desde que faça esta ou aquela escolha.
Áudios autobiográficos, autoficcionais, autofágicos.
Áudios depreciativos e celebratórios, vaidosos e amargurados.
Áudios enviados de si para si, contendo recomendações e conselhos e alertando para algum aspecto da rotina de hoje ou de amanhã, recados lançados numa garrafa para que o eu do futuro possa se valer de um alerta desse eu passado.
Gosto de áudios, como se nota, não tanto porque posso acelerar a mensagem, já que nunca acelero, nem porque tenho especial predileção pela afetividade da emissão vocabular audível.
Gosto porque gosto, porque não são editáveis, porque carregam mais informação do que qualquer texto escrito, sempre à mercê de mil e um mecanismos e ferramentas de IA e outras melhorias que falseiam a expressão.
Mas com o áudio, não, não por enquanto, não até agora.
Não se acanhem nem caiam nessa de que o áudio é inconveniente. Não é, o áudio é sempre adequado, nunca se atrasa nem chega antes, nunca inoportuno ou constrangedor, o áudio é o que é, tautologicamente falando.
Há o áudio do pensamento alto, solto, um ensaio oral e sonoro que vai se costurando e assumindo uma forma informe à medida que o tempo passa.
Um áudio de gargalhada, nada mais, nada menos, só o riso registrado da pessoa que talvez até pretendesse dizer algo, mas se quedou impotente ante a força maior da graça de uma piada sequer contada, mas já risível.
Um áudio de DR, cheio de tensão, modulado, com altos e baixos, começa torpedeando e termina implorando porque sim, por favor, não faça isso.
Um áudio enigmático, impeditivo, riscado, sublinhado.
Um áudio extraviado, errado, errante, vacilante, incompetente e soluçante.
Um áudio sussurrado, soprado, áudio de quem conta uma conversa encurtando a distância, como se dissesse: agora chega aqui que preciso lhe dizer algo realmente importante.
Áudios de trabalho, verdadeiros tutoriais para a vida laboral, explicando toda sorte de procedimentos e tarefas a cumprir num prazo X, durante o qual você terá esta ou aquela opção, desde que faça esta ou aquela escolha.
Áudios autobiográficos, autoficcionais, autofágicos.
Áudios depreciativos e celebratórios, vaidosos e amargurados.
Áudios enviados de si para si, contendo recomendações e conselhos e alertando para algum aspecto da rotina de hoje ou de amanhã, recados lançados numa garrafa para que o eu do futuro possa se valer de um alerta desse eu passado.
Gosto de áudios, como se nota, não tanto porque posso acelerar a mensagem, já que nunca acelero, nem porque tenho especial predileção pela afetividade da emissão vocabular audível.
Gosto porque gosto, porque não são editáveis, porque carregam mais informação do que qualquer texto escrito, sempre à mercê de mil e um mecanismos e ferramentas de IA e outras melhorias que falseiam a expressão.
Mas com o áudio, não, não por enquanto, não até agora.
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