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Mostrando postagens de maio 3, 2013

Que cidade é essa?

O que é uma cidade? Desculpa, não devia ter perguntado isso. Cidade é tanta coisa. A imagem que temos dela, nós, nativos, a imagem que fazem dela, eles, forasteiros, a imagem que resulta da fricção entre as duas imagens, a de dentro e a de fora, mais uma terceira que ninguém sabe ao certo qual é, a imagem que os governantes vendem na publicidade oficial, que parece sempre muitos degraus acima da que vemos diariamente nas ruas,  Todavia, essa imagem diária também é precária, falsa, incompleta, como já apontava Calvino naquele livrinho que todo mundo cita como epígrafe nos trabalhos acadêmicos, As cidades invisíveis , e mesmo as tantas cidades invisíveis, postas lado a lado ou formando círculos concêntricos, não definiriam o que é a cidade, nem Fortaleza nem qualquer outra. Fato é que há sempre uma batalha, ora subterrânea, ora explícita, que se trava em torno da construção de uma imagem de cidade – falo uma, mas sei que são muitas e contraditórias e que no final é quase

Boletim final

Algumas teorias conspiracionistas atribuem a Leonardo Da Vinci a paternidade da invenção do corpo perfeito da barata  A barata desapareceu por completo, suspeito que não tenha resistido aos ferimentos e morrido atrás do fogão ou simplesmente conseguido escapar furtivamente por algum vão obscuro do encanamento. É o que costumam fazer quando tomadas de desespero ao verem suas vidas ameaçadas por qualquer coisa, uma sandália ou um predador, dá no mesmo. Essa pode ser classificada como a reação natural de todo ser vivo destituído de uma carapaça e colocado eventualmente sob ameaça, real ou imaginária: enfiar-se em alguma parte do sistema de esgoto e de lá sair apenas quando nada mais do lado de fora indicar a presença aterrorizante da morte. Por algum motivo, fomos programados com esse instinto que nos leva a evitar a própria dissolução física a todo custo. De modo que, agora, apenas duas perguntas sobrevivem à ausência da barata. Uma é: pode o animal – vou chamá-lo assim

Boletim atualizado

A barata finalmente resolveu se esconder atrás do fogão e de lá não deve sair até as primeiras horas da manhã, quando parecerá morta aos olhares leigos mas estará apenas aguardando o momento oportuno para escapar definitivamente.    Ao menos é assim que costumam se comportar em situação semelhante, afirmam os sites especializados em caça à barata que pesquisei há meia hora. A dúvida agora diz respeito ao que é mais prudente, fechar a porta do quarto de modo a impedir que até mesmo o plasma fantasmático seja capaz de atravessá-la. Ou proceder a novas buscas, cutucando desvãos insuspeitos, borrifando perfume (baratas detestam perfume) na parede, fazendo soar algum tipo de despertador intermitente etc. Fortaleza, 3h54, maio, 2013 – a dúvida persiste.