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Te espero lá


Adoro essa revista.

Besteira. É tão ruim quanto qualquer outra. Hoje, terça-feira, 2, dezembro, calor infernal. As ruas cheias de gente com sotaque diferente. Na hora do almoço, ele estende o mapa da cidade sobre a mesa e, com o indicador, passeia por vias que desconhece. Tem cara de bobo. Ela também. Turistas têm caras de idiotas aonde quer que vão. Soa estúpido perguntar ao vendedor onde fica localizado o cinema da cidade. O mesmo que 99% da população conhece. Menos você, turista.

Faz três dias não posso comer direito. Sinto dores na barriga constantemente. Elas começam devagar, mudam de lugar, logo se intensificam e, quando percebo, estou fazendo caretas no banheiro. É batata. Quer dizer, não é batata. Batata é sentir a mesma coisa há três dias. Não sei por quê. Minha alimentação é a mesma. Exceto pelos sanduíches, os litros de refrigerante que venho ingerindo e as horas passadas sem comer ultimamente.

Fora isso, estou bem.

Não consegui me formar agora. Todos da turma passaram na minha frente. Entendo agora a cabeça do aluno repetente – estive perto de ser rebaixado várias vezes quando era estudante, mas escapava no final. Era bom nisso – fingir que ia ser reprovado e, num vôo de fênix, dar a volta por cima.

Hoje estou cansado. Perto dos 30, não há mais graça em imitar uma ave idiota que renasce sempre das cinzas.

Agora, indo para casa repetir a série abrir a porta / tomar banho / escovar os dentes / cometer ilicitudes / folhear alguma revista / comer alguma coisa / deitar / assistir o que estiver passando na televisão / fechar os olhos levemente / mudar de lado no colchão / e dormir.

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