Houve um tempo em que a escalação da seleção brasileira era um amontoado de apelidos sonoros e afetivos, quase sempre dissilábicos, de Pelé a Didi, de Vavá a Dodô, incluindo-se Tostão e os mais recentes Zinho e Kaká. Também lembro de Cicinho e dos Ronaldinho, que, se não eram apelidos ao pé da letra, carregavam a força intimista do diminutivo, que apazigua e suaviza o tratamento, aproximando o atleta do torcedor nesse país de cordialidade exagerada. Daí que, na véspera da Copa, com o meu interesse aumentando aos poucos, liguei num desses programas de TV que cobrem o noticiário diretamente dos Estados Unidos. Não reconheci ninguém entre os convocados pelo técnico italiano. Mas não foi isso que me surpreendeu, já que deixei de acompanhar o dia a dia do futebol há algum tempo. A novidade foi a total ausência dos apelidos estampando as camisas amarelas. O repórter, que desfiava os nomes dos agraciados por Ancelotti, não parecia anunciar o time de jogadores, mas a lista de chamada escolar o...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)