Comento tardiamente o jogo no qual a Alemanha venceu outra seleção, não vem ao caso qual, por placar de sete a um. O mesmo de 2014, sim, aquele pelo qual o Brasil se martiriza hoje ainda, um resultado inverossímil no futebol, adiposo, excedente, dispensável e deselegante. Numa Copa, então, quando uma vitória magra é mais que suficiente, dobrar o concorrente por uma margem tão ampla de tentos é exercício ocioso, uma flagrante insistência no erro. Porque o gol além da conta deixa de representar o gozo e passa ao seu contrário, seja ele qual for. Digo que, a partir do quinto, o jogo se turva, as regras se esfarelam e o objetivo da partida se arrefece. Já não há nada que explique por que onze jogadores de cada lado estejam às voltas com uma bola, tampouco que haja no estádio torcedores aos milhares berrando para o gramado. Atravessado esse limiar, a festa se encerra, sobressaindo tão somente o absurdo do número, o sete pendendo como uma conta que não fecha. E, no entanto, os alemãe...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)