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SAME THING, SOMETHING

O que há?   Há...   O que é?   É...   Sabe explicar?   Talvez...   Tente, se esforce...   Tento.   Mas...   Mas o quê?   Não consegue?   Sim... Não...   Não?   Sim... Não consigo. Não, eu consigo. Varia.   De lugar?   De pessoa também.   E dói?   Quase sempre.   Já foi ao médico?   Ele disse “Pare de ouvir tanto a mesma música”.   Curiosamente, a Mariana falou a mesma coisa na semana passada. “Tu passa o dia inteiro ouvindo a mesma música.” Fingi que não era comigo.   Mas era.   É.   Sempre é com a gente.   Quase sempre.   E sempre arranca pedaços.   Invariavelmente.   Quase nunca é apenas superfície.   Quase. 

LATOS E XOBAIS

Estou quase parando.   Não diga isso.   Sim, estou.   Mas o que houve? Algum contratempo no fim de semana?   A vida é contratempo.   ...   Sério.   Tá. Quer tomar uma casquinha?   Quero.   Olha, andei pensando. Alguns casais se desfazem, tudo bem. Isso é absolutamente normal. Mas, quando a coisa acontece com gente tão próxima... Não sei.   Não sabe o quê?   Reagir. É estranho.   Duas casquinhas, por favor. Chocolate e mista.   Acabo não conseguindo entender algumas coisas.   Obrigado. Sinceramente, encaro isso naturalmente.   Mas tem que ser assim mesmo.   Ninguém é inorgânico.   ...   Tu tá tão reticente hoje. Estranho...   Pois é. São essas viradas, essas conjunções estranhíssimas de fatores mil que acabam me tomando pelo braço e conduzindo a lugares inusitados.   Em bom português...   É a crise.   Tem a ver com a gripe dos suínos?   Nada a ver.   Com o aumento da Selic?   Tampouco. ...

LIVROS

Aqui , resenha de O filho da mã e . 

A ENQUETE

Feita a enquete, vamos aos resultados. Alguns escritores e críticos responderam: ter uma vida cheia de vai-e-vem é pré-requisito para que haja boa literatura? Precisamente: escritores precisam ser grandes aventureiros para ter realmente o que dizer?     Santiago Nazarian (Olívio e A morte sem nome)   “Não acredito em fórmulas prontas. Alguns escritores habitam o tédio de uma morosa vida cotidiana, e isso é o que os motiva a criar além. Já outros, precisam de combustível externo, tragédias e aventuras para garantir inspiração. Eu mesmo transito entre os dois lados, preciso dos meus momentos de recolhimento, mas também busco a transformação.”   Ana Paula Maia (A guerra dos bastardos)   “Escritores sabem inventar, mentir, sugerir e convencer; desde que haja talento para isso. Com um punhado de palavras, imaginação e bastante artimanha é possível ter bons escritores vivendo poucas experiências intensas e elaborando boas histórias.   Dá para se ter bons escritores inclusiv...

REPERcutindo

Bom, se escritores realmente precisam viver para ter algo a dizer? SEI LÁ. Eu, que não sou totalmente escritor – sou jornalista que se vira nos trinta - digo mesmo quando não vivi. Quer dizer, mesmo sabendo que o que vivi está aquém dessa minha vontade. Precisamente: aquém da vontade de escrever. Entenderam?   Vou desenhar: há essa coisa chamada vontade. E há o teclado, que faz barulhos agradáveis quando nos pomos a digitar incansavelmente. É gostoso ouvi-lo por dias e dias, noites e noites. Por fim, há a coisa a ser dita, que pode ser confusamente descrita como a mensagem.   Há mensagens e não-mensagens. Comumente, as não-mensagens são tomadas como mensagens e vice-versa.     Mas digo sempre incorreto. Perdão. Deixa pensar, deixa pensar. Dizer por dizer é bobagem. Tem que haver algo a ser dito, comunicado. Algo e não apenas palavras plasticamente postas no papel. Digo: não se trata tão somente de enfileirar palavras, construir frases belamente contorcidas, dar forma a qual...

Assistam - As bicicletas de Belleville