Pular para o conteúdo principal

Postagens

MUDE O SEU CONCEITO DE MORAR BEM II

PARTE I Você já quis morar numa música? Explico: a música toca, toca e toca. E você a repete, repete e repete. Até que, uma hora, você pensa: quero muito viver nessa música, entre um acorde e outro. Entre essa frase e aquela, posso construir uma casa, armar uma barraca ou simplesmente ficar vagando, vendo as notas, apreciando o vídeo-clipe da canção, sentindo qualquer coisa volátil se desfazer enquanto piso em esferas cujas marcas se parecem realmente com os continentes num globo de plástico. E se há mulheres flutuando de um lado a outro nesse mesmo vídeo, nadando no meio da rua, esticando pernas e braços como se estivessem numa aula de hidroginástica para senhoras grávidas ou numa cama imaginária, melhor ainda. Mas, claro: o objetivo não é exatamente esse: colher mulheres como quem colhe maçãs. Explico: nada contra colher mulheres em árvores ou onde quer que elas estejam penduradas. PARTE II Porque o objetivo expresso do texto que comecei a escrever há alguns minutos é: viver na músic...

EncaMinHAndo

Aqui , resenha gauche de Frenesi Polissilábico. Façam bom – ou mau – proveito.

CTRL C + CTRL V

NÃO VOS EMPANTURREIS PRIMEIRA ETAPA DO TRÍDUO PASCAL, PERÍODO QUE SE ENCERRA NO DOMINGO DE PÁSCOA, A SEXTA-FEIRA SANTA É MARCADA POR SACRIFÍCIO, JEJUNS E MEDITAÇÃO. À ESPREITA, O ETERNO RISCO DE INCORRER NO PECADO DA GULA HENRIQUE ARAÚJO>>>ESPECIAL PARA O POVO Antes, uma história rápida: há muito tempo – muito mesmo – um homem chegou a uma cidade e foi recebido com honras de líder, jogador de futebol e milionário – tudo isso junto. Não era nada disso. Na verdade, pouco se lixava para fama e poder. Entretanto, quando passava, as pessoas na rua o saudavam com galhinhos de planta. Tinham-no como alguém especial, alguém que poderia resolver grande parte dos problemas não apenas deles, mas de seus filhos, irmãos, sogros, cunhados, tios e tias, pais e mães. Era um homem de habilidades: podia curar doentes terminais, verter água em vinho e fazer transbordar de peixes um veio d’água antes estéril. Na cidade, esse homem reuniu amigos e conhecidos. Mesmo sob a mira do governo, esse home...

O TREM DAS SETE

Você quer? Não. Você quer? Talvez. Não? Pode ser, já disse. Não alimente as minhas esperanças, Maria. Não alimente as minhas, José. As suas? As minhas. As minhas? As suas. Não confunda as coisas, não se confunda. Quem está confuso é você. Como sempre. Eu? Sim. Por que eu? Porque você... Porque costuma ser assim. Posso perguntar uma coisa... Pessoal? Se é pessoal, pode. Você quer? Quero. Quer mesmo? Sim. Vou gravar isso. Vai? Sim, vou. Você quer namorar comigo? Namorar? Sim, namorar! Claro que não. Mas você... Você falou... Disse que queria. Disse que talvez... Talvez. Posso te perguntar uma coisa impessoal antes do fim? Se é impessoal, pode. Que horas o trem passa? Às 7. Boa noite. Boa. ... Espera! Ela não esperou.

ELE DISSE "OCUPADA?", ELA DISSE "BRIGADA"

De repente, o rosto ainda crispado, as mãos suadas, os cabelos levemente despenteados porque quando está nervoso ele esfrega o couro cabeludo como se estivesse alisando uma lâmpada mágica e, de fato, ele acredita que assim algum mau pensamento possa ser afastado definitivamente... De repente, ele virou-se e disse - antes, embora nunca tenha pretendido medir qualquer pessoa apenas investigando a profundidade da cor dos olhos, ele a vasculhou ali. Num fundo preto, aquoso. Brilho da sela do cavalo. Brilho da roleta de ônibus. Brilho da tela LCD do caixa eletrônico do Banco do Brasil. Coisas assim absolutamente despropositadas vieram. E ele ficou calado. Olhando-a bem lá. Eles eram pretos. Ela tinha os olhos tão pretos que poderia para sempre perder-se dentro deles. Até que finalmente disse o que havia levado a vida inteira ensaiando. Toda a sua vida contida naquele segundo. Naquelas palavras. Ele disse: SE VOCÊ QUISER, EU APRENDO A DANÇAR. SE VOCÊ QUISER SEGURAR MINHA MÃO E RODOPIAR NO SA...

Paciência vacila

Aqui , minha resenha de Leite derramado , novo romance de Chico Buarque. Duas correções: primeiro, no lugar da interrogação no nome d’Assumpção, deveria haver um apóstrofo. Coisa boba. Depois, no fim do texto, uma pequena anomalia: um trecho indevido saiu colado à derradeira frase. Coisa boba também. Pequenos deslizes tão comuns no dia-a-dia. Posso perguntar como vai tudo? Como têm passado? Comigo, nada de novo. Fora a angústia do que está certo. Fora a angústia do que está errado. Por ora, é assim que ficamos. Volto até o fim do dia. Vou ali no mercado comer panelada e respirar um pouco o estranho cheiro que sai da cabeça cozida do carneiro.