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Eu vi, você ouviu

Ora, ora. Hora, hora. Ora! Ora! Quero acreditar que estou vivo, gravitando o Sol e cercado por matéria escura. Estive de ressaca. Viver é ressaca. Morrer é Sonrisal. Sabem de uma? Não sabem? Conto depois. Mas adianto: nada que possa desviar a rota translacional da Terra. Tenho o novo livro da Ana Cristina César confinado entre canções do Elvis Presley e o “Greatest Htis” de David Bowie. Está em boa companhia. Em breve, reproduzo alguma coisa aqui. Sim, por que não? RIGHT, LEFT. Quero ir ao cinema, mas só consigo chegar até a esquina. Quero saltar 7,5 metros sem pisar na faixa branca nem dobrar os joelhos na queda, mas as pernas só alcançam três metros além da soleira da porta. Preciso de próteses. Preciso de próteses protetoras. Acaso choverá?

Seja marginal, seja um chato!

Estou na Bienal diariamente. E daí? Não agüento mais. Cansado, sim. Devia ter aprontado o livro ainda neste ano. Não fiz. Agora, só ano que vem. Dinheiro só no ano que vem. Porque escrevo para ganhar dinheiro. Não tenho outro emprego, trabalho. Ganho escrevendo. Comprei televisão nova e DVD escrevendo. Ontem conversei com um cubano. Por alguma razão, não nos entendemos. Nossas línguas – português e espanhol – são parecidas, mas não exatamente as mesmas. Em português, “desenvolver” é bastante diferente do espanhol. Enfim... O cubano, Alex Pausides, disse coisas que passaram em brancas nuvens. O mesmo comigo. A bienal traz como tema a mestiçagem. Sim, uma coisa legal. Interessante... Alguém achou que não precisaríamos de tradução simultânea porque, antes de qualquer coisa, somos “povos irmãos” oprimidos pelo mesmo algoz: os EUA. Logo precisamos nos entender. E espontaneamente. Língua não é barreira, é suporte. É diálogo. As Américas hispânica e portuguesa têm a missão de eliminar os obst...

M de MAÍSA

Rapidinha. Antes do fim do domingo e início da segunda. Antes, portanto. Porque hoje é domingo. Sabem, conheci a Maísa na televisão. Nunca tinha assistido a menina falante. Na verdade, descobri algo espetacular e também apavorante fuçando alguns arquivos que tenho recebido regularmente de amigos que moram em Washington, nos EUA. Basicamente, eles dizem que o governo dos Estados Unidos criaram uma nova arma de combate, algo que deixaria qualquer bomba atômica corada de tanta vergonha. Lendo um pouco mais, vi que a estratégia da Casa Branca apontava para qualquer coisa absolutamente impactante. Contive o susto, o nervoso. Tentei pensar friamente antes de contar qualquer coisa a alguém. Sob todos os pontos de vista, a nova e letal arma de guerra tem – isso é fato - uma fisionomia inusitada. Segundo os dados criptografados que, a muito custo, vertemos para o idioma pátrio – não sem a ajuda dos russos, claro -, sete crianças foram enviadas a sete pontos diferentes do planeta. A saber: Monte...

Uma palavra antes, durante e depois

Preciso urgentemente de um caderno de anotações. E não precisa ser Moleskine, não. Pode ser de pauta dupla, do tipo que você usava na primeira série, ainda nos 80. Ou na oitava, agora nos 90. Claro, de mentirinha. Preciso anotar. Venho sobrevivendo sem anotações, pequenas ou grandes. Depois que conheci os computadores, larguei de vez a caneta e o papel. Por mim, as redações no vestibular seriam todas digitadas. Não vejo qualquer problema nisso, apenas vantagens. A principal delas: impedir que as mãos suadas deslizem através do corpo esguio da Bic. Um pedido público: cara, leva esse bagulho pra faculdade, por favor. Preciso ouvir Elvis Presley. “My way”, especificamente. Curioso: ontem era segunda-feira. Eu juro, ontem era segunda. E hoje – o fato inusitado – é sábado. Quer dizer, saltamos da segunda para o sábado. Viajamos no tempo, mas não no espaço. Hoje estou chato. Mal consigo escrever. Minha vista está embaçada, os óculos velhos não servem mais, as hastes tornaram-se depósito de p...

Não irei pedir seus documentos novamente, certo?

Adoro escrever aqui. Hoje mais que ontem, bem-entendido, quando tudo parecia tão distante e as palavras eram ramos de flores que eu sabiamente atirava ao chão porque não conseguia descobrir o que fazer com elas. Como talvez ainda não saiba. De qualquer forma, tento enfeitar o dia – idéia idiota – com um punhado dessas coisas que brilham de um modo diferente para cada um de nós e, claro, pesa de um modo diferente também. Ou nem pesa. Mas palavras tendem a pesar. Sinto isso todos os dias. Mas ia dizendo que adoro escrever aqui. Adoro mesmo. Volto muitas vezes ao dia e releio trechos de postagens antigas. Rio comigo mesmo, das besteiras, das coisas engraçadas – muito poucas – e também das coisas que, cifradas, querem dizer bem mais que as bobagens de sempre, bem mais que pequenas confissões. Querem dizer que estou metido em alguma enrascada e, vejam só, vou levar algum tempo até descobrir como dela. Era isso. Queria dizer que, mesmo agora, releio as coisas. Gosto das coisas. De como elas ...