Fomos dormir com as ruas enfeitadas por causa da Copa e das festas juninas e acordamos desclassificados e sem o colorido do São João, tudo isso num intervalo de poucos dias, numa queda livre sem escalas.
Da euforia da mistura de quadrilha e futebol para esse período de desencanto em meio ao deserto de julho, com as crianças em casa perseguindo seus pais com perguntas sobre derrota, fracasso e vergonha.
É um golpe duríssimo numa rotina oblomoviana a que já tinha me habituado, de férias do trabalho, assistindo a cinco ou seis jogos por dia, quando não quatro ou três, às vezes apenas um, comprando pratinho em cada esquina e apontando as bandeirinhas tremulando pra minha filha a caminho da escola ou quando saíamos para o supermercado, onde nos demorávamos escolhendo goiabas e tangerinas, sem pressa alguma pra chegar.
E agora nada, nem uma nesga de esperança, nenhum jogo marcado no calendário do próximo sábado ou domingo, zero expectativas em torno de uma vitória do Brasil.
Logo as ruas estarão vazias, varridas de qualquer atrativo para a vista exceto os fios soltos, dependurados pelas pontas dos postes como instalação de arte contemporânea preparada em surdina, no meio da noite anônima, horas antes da chegada da pesarosa segunda-feira, quando as rodadas da Copa recomeçam.
Mas não para Brasil e México e também para o Paraguai, atropelados pelas detestáveis Noruega, Inglaterra e França.
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