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Mais ali.

Ponte velha

Nota mínima De noitinha ou alta madrugada, vou até o corredor e olho bem acima da minha cabeça. Olho em direção a um punhado delirante de estrelas. Noto que algumas piscam, outras não se movem, parecendo mais ocupadas e menos festeiras. É uma cena bonita, de filme, temperada por uma consciência tremulante de que a vida é, ao final, um cozimento lento de breves alegrias e dores largas. O mesmo se deu no entardecer da supermoon , quando uma bola gigantesca saltou das águas da Praia de Iracema, de onde assistíamos ao espetáculo. Foi inacreditável, balançávamos as pernas e, de repente, uma lua quase duas vezes maior que o normal apareceu diante de um público que disparava fotos à razão de 200 quadros por segundo. Estávamos na ponte velha, o lugar mais calmo da cidade, havia poucos casais além de nós. Navios encalhados nos cercavam.

Obituário de Millôr Fernandes (revista 'piauí', abril)

Pôr do sol em Ipanema Humor do Méier ao Arpoador por MARIO SERGIO CONTI Numa conversa de fim de noite, falou-se de morte. O tom era sorumbático até que Millôr Fernandes, com mais de 80 anos, contou como desejava que fosse a sua: “Quero morrer com três tiros no peito, disparados pelo surfista que me pegou na cama com a namorada dele.” O chiste é engraçado e verdadeiro: ele queria morrer no auge, numa delinquência safa e na contramão dos bons costumes. O senso comum recomenda que octogenários fiquem em casa de bermudão, tomando sopinha, vendo o Faustão e dispensando conselhos dispensáveis às jovens gerações. Já Millôr queria se entreter – e aprender – nos braços de uma beldade em flor vinda da praia. Morrer assim seria bom. A conversa foi num restaurante na praça General Osório, perto do seu estúdio e a algumas quadras do seu apartamento. Tudo em Ipanema. Millôr não era brasileiro, sequer carioca. Era um ipanemense que sentia saudades da beira-mar já na Via Dutra, ele dizia, adaptando ...

Garotos-problema: Martha Marcy e Kevin

Dois filmes no final de semana de Páscoa e descanso e roupas limpas depois de horas sofrendo à beira pia: Precisamos falar sobre o Kevin e Martha Marcy May Marlene . O primeiro é bem tristinho. Triste de ruim, sem abalos, cheio de excessos, estilizado (no mau sentido), uma direção rasa. Horário da sessão de arte uma pescoçada: 10h45min do sábado. Todavia, Tilda Swinton, inabalável, uma monstra. O contraponto é a dupla que faz Kevin pivete e Kevin jovenzinho. São tão ruins quanto a repetição da textura vermelha em alusão – óbvia - a sangue e chacina (a mãozinha do diretor acenando, very cool ). Pior cena em muito tempo: Kevin jovenzinho apronta com a irmã pequena – um lance diabólico. Família reunida na hora do café, o garoto se diverte mastigando lentamente o sumo carnudo de uma fruta que parece pitomba, mas é outra coisa. Grande sacada – me digam depois. Já a ideia-base de Martha... parece ter sido esta: vamos fazer um filminho descolado com final abrupto e elíptico. Antes, in...