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Coisando coisas complexas

Tem dias assim: você acorda, acorda, mas quer permanecer dormindo, deitado e dormindo, deitado, enrolado, e dormindo, e dormindo, porque levantar requer esforço extra-humano, porque esforçar-se não faz parte da programação básica do dia, da quinta-feira, nem da sexta-feira bem menos ainda do sábado, ainda que os sábados sejam dias por excelência movimentados, que exigem mesmo um “O que vamos fazer logo mais?”, mas, a despeito dos sábados, quero mesmo é ficar aqui e curtir essa nova onda do roque inglês, ficar, ficando, ficar assim, meio vácuo, vago, vasto.

Não sei, mas posso descobrir

Aqui, aqui , entrevista com o poeta Manoel Ricardo de Lima. Se tiverem tempo, se não tiverem tempo; se tiverem paciência ou se estiverem no meio de alguma tarefa chata mas necessariamente necessária. Se não quiserem por birra, por sorte, por não quererem simplesmente por não quererem. Ainda assim leiam. Não por mim, nem por ele, mas porque por enquanto é só o que tenho a dizer. Beijo.

DístICO

A poeira foi baixando, baixando, baixando. Agora, baixou de vez. Quero sentar no parapeito e ver os que passam. Quem passa? Quem passa? Quem fica? Do parapeito da janela, ninguém passa ou fica. Absolutamente. Todos vão, vêm.

CHangeMAN quer sorvete

Tem dias assim: você acorda, acorda, e, de repente, parece ligado, mas você não mudou ou bebeu ou injetou qualquer coisa. Você está ali, limpo, e elétrico, e azul, e fosforescente, e destinado a fazer coisas realmente grandes numa quarta-feira de julho, um dia realmente pequeno, sem grandes atrativos exceto o futebol às 21 horas, e, de modo geral, é nessas horas, nessas horas impróprias, que você pensa, pensa, mas o que aconteceu?, e, sem esperar resposta, sem esperar, você mesmo devolve a si: eu comi estrelas no café da manhã. É o diagnóstico.

Enes quer dizer "VOCÊ CONSEGUE"

Notas do domingo publicadas na segunda-feira. Notícias do inquilinato. Temos novo hóspede. O cachorro é brincalhão, vive enchendo o saco da gata. Pra piorar, existe o gato, que não sai do pé dela. A gata é querida. É um tormento. Aqui, a fauna local é reduzida, mas particularíssima. Papagaio, cachorros e gatos. Dois deles – um cachorro vira-lata e um gato branco - vivem exclusivamente na rua, mas se identificam tanto com o lugar que nunca vão muito longe. Festejam os dias à porta. Quando têm oportunidade, entram. São logo expulsos. O gato porque faz barulho. Parece que acabou de chegar de um show do Wando. Mas passemos a outro assunto. Hoje não há costuras nas bordas. O dia é largo, elástico, expandido. Prefiro dias curtos, com prazo de validade. Os domingos duram tanto porque, alguém disse, houve falha na programação desse dia. Os demais têm as horas que devem ter. O domingo, alguns minutos a mais. Portanto, a sensação de que ele se arrasta não é de todo fantástica. Tem fundamento com...

Ontem, ontem - ontem foi mesmo sexta-feira?

Porque hoje é sábado. E ninguém sabe. Porque ontem foi sexta-feira. E ninguém percebeu. Gosto: arqueologia. Gosto: física dos corpos. Gosto: matemática. Gosto: me transportar para o instante. Aquele instante perdido. Onde estava? Com quem estava? O que fazia? Não sei. Não sei. Gosto: repetições. Séries acrobáticas reiteradas. Gosto: chegar, não esperar. Hoje mesmo vi um cão de nome bonito. E uma menina, dona do cão de nome bonito. Quando for menos cifrado, volto.