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DístICO

A poeira foi baixando, baixando, baixando. Agora, baixou de vez. Quero sentar no parapeito e ver os que passam. Quem passa? Quem passa? Quem fica? Do parapeito da janela, ninguém passa ou fica. Absolutamente. Todos vão, vêm.

CHangeMAN quer sorvete

Tem dias assim: você acorda, acorda, e, de repente, parece ligado, mas você não mudou ou bebeu ou injetou qualquer coisa. Você está ali, limpo, e elétrico, e azul, e fosforescente, e destinado a fazer coisas realmente grandes numa quarta-feira de julho, um dia realmente pequeno, sem grandes atrativos exceto o futebol às 21 horas, e, de modo geral, é nessas horas, nessas horas impróprias, que você pensa, pensa, mas o que aconteceu?, e, sem esperar resposta, sem esperar, você mesmo devolve a si: eu comi estrelas no café da manhã. É o diagnóstico.

Enes quer dizer "VOCÊ CONSEGUE"

Notas do domingo publicadas na segunda-feira. Notícias do inquilinato. Temos novo hóspede. O cachorro é brincalhão, vive enchendo o saco da gata. Pra piorar, existe o gato, que não sai do pé dela. A gata é querida. É um tormento. Aqui, a fauna local é reduzida, mas particularíssima. Papagaio, cachorros e gatos. Dois deles – um cachorro vira-lata e um gato branco - vivem exclusivamente na rua, mas se identificam tanto com o lugar que nunca vão muito longe. Festejam os dias à porta. Quando têm oportunidade, entram. São logo expulsos. O gato porque faz barulho. Parece que acabou de chegar de um show do Wando. Mas passemos a outro assunto. Hoje não há costuras nas bordas. O dia é largo, elástico, expandido. Prefiro dias curtos, com prazo de validade. Os domingos duram tanto porque, alguém disse, houve falha na programação desse dia. Os demais têm as horas que devem ter. O domingo, alguns minutos a mais. Portanto, a sensação de que ele se arrasta não é de todo fantástica. Tem fundamento com...

Ontem, ontem - ontem foi mesmo sexta-feira?

Porque hoje é sábado. E ninguém sabe. Porque ontem foi sexta-feira. E ninguém percebeu. Gosto: arqueologia. Gosto: física dos corpos. Gosto: matemática. Gosto: me transportar para o instante. Aquele instante perdido. Onde estava? Com quem estava? O que fazia? Não sei. Não sei. Gosto: repetições. Séries acrobáticas reiteradas. Gosto: chegar, não esperar. Hoje mesmo vi um cão de nome bonito. E uma menina, dona do cão de nome bonito. Quando for menos cifrado, volto.

Numa quinta, cara de segunda

Não se preocupem. São apenas as ondas de leste. Uma amiga explica: trata-se das chuvas de outros estados que chegam até aqui empurradas pelo vento. A rigor, não são nossas, mas vêm molhar nosso chão. No quintal, digam: voltem para onde vieram. Espantem os pingos esbravejando seriamente. Bom final de quinta-feira.

Se as vértebras falassem

Os dedos fogem, as mãos erram, os olhos vacilam. É quarta-feira, 21. Ou 22, já nem sei. Agora, que há? Ontem mesmo li os contos de TÍTULO PROVISÓRIO, minha estreia na literatura. Foram escritos em 2007. Uma parcela, em 2006. Não me dizem respeito. Mas que susto bom. Que susto. Mesmo, mesmo. São estranhíssimos. Fico pensando: onde estava com a cabeça quando resolvi que escreveria cada um desses textos? Melhor: que os escreveria e os reuniria em livro? Pior: que os publicaria com dinheiro público? Não sei. Há coisas que não se explicam, apenas intuem. De todo modo, nos vemos até o final do ano. Prometido: lançamento-acontecimento. Esperem, esperem. Fogos, muita comida, bebida, balões e muito, muito bolo de chocolate. E, claro, cajuína. Besteira. Me leiam até o fim. Outra estatística: estou bem próximo de minha 200ª postagem. Um marco. Dois marcos. Uma interessante marca. Duzentos toques. Tanto tempo, tanto tempo. Ontem, posei. No cantinho, posei. Fiz pose. Fotógrafo: Yuri. Não disparou f...