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Adivinhações

Ultimamente penso por palavras, vocábulos soltos em torno dos quais elaboro um universo que não chego a descrever com precisão, a lhe dar existência efetiva. Vivem apenas como suposição, nomes à deriva por aí, como adivinhações. 

Anoto, registro, procuro o caderno e escrevo rápido para não esquecer, a memória um tanto falha para tudo que a exige nestes dias.

Mas daí não avanço, a palavra se esgota nessa possibilidade, termina ali, não sigo em frente e não a procuro porque o fato de que exista talvez me baste, eu me contento em tê-la acima e logo abaixo o vazio onde a qualquer momento eu poderei dizer o que quer que seja, mas não digo.

Quem sabe seja a atenção flutuante, como o mundo flutuante, uma oscilação de energias como essa da rede que faz as luzes piscarem devagar.

 

 

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