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Cacos, cocos, cascos

Quando não dá, a gente corre, a gente se esconde, a gente finge que não é com a gente. Mesmo querendo, mesmo querendo. Porque querer é apenas parte do problema. Inteiro, ele envolve querer mesmo. De fato, de direito. Hoje estou assim, epitáfico.

Havendo tempo, havendo dinheiro, havendo gente...

Setembro de 2009: quatro anos blogando. Escrevendo platitudes a ninguém. Debatendo o sexo (oral) dos anjos. Havendo-se com o nada absoluto, perdendo tempo, desperdiçando dedos, desgastando as articulações que tornam o corpo humano um esqueleto sabidamente móvel. Quatro anos. Faz tempo, sim. No começo, era Pragas & Danações. Depois, Urânio Enriquecido. Depois ainda, apenas eu. Melhor: Oskar. E agora também. Não quero mudar de nome. Não quero mesmo. Quero Oskar Vereador. QUERO OSKAR PRESIDENTE. Sim, ando assim, bem assim, meio assim. Diverso, vago, vácuo. Mas só até sexta-feira. Nesse dia – ou no dia seguinte – como qualquer coisa e bebo qualquer coisa porque qualquer coisa no fim de semana vale a pena e quando valem a pena as coisas nos deixam felizes. Vale, sim. She knows . Remendei tudo? Não sou bom com bandagens. Deixo as carnes feridas à mostra. Mas gosto de dizer bonito. Mesmo feio, quero tudo bonito. Até mais ver.

Coisando coisas simples

Quero compensar a ausência escrevendo coisas bonitas, mas só tenho o feio guardado na gaveta. Falo feio, escrevo feio. Tem alguma relação com a minha própria feiúra? Sério. Estou perdido, estou perdido. Nos fins de semana, não leio, não escrevo. Apenas – apenasmente. Mas perder-se já diria alguém é um passo necessário. Absolutamente necessário. Saibam disso: perder-se é – é e sempre será. É bom. Perder-se é ótimo. Mas encontrar-se é melhor ainda. Por ora, por hora, por ora.

Vui Findo

Aqui , conversa ligeira e certeira com o escritor e jornalista Lira Neto. Tema: a nova biografia, prevista para o final do ano. O biografado: Padre Cícero Romão Batista. Beijo na orelha.

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VALSA COM O DIABO ANIMAÇÃO VALSA COM BASHIR , DO ISRAELENSE ARI FOLMAN, TEM EFEITO DUPLO NO PÚBLICO: SEDUZ COMO ANIMAÇÃO E DESTRÓI COMO OBRA DE ARTE HENRIQUE ARAÚJO>>>ESPECIAL PARA O POVO O leitor assistiu a Persépolis , animação baseada na graphic novel da iraniana Marjane Satrapi? Se sim, sabe do que esse filme é capaz. Agora, novidade: Valsa com Bashir vai além. A história da jovem Satrapi é levemente trágica, mas carregada de um sentimento de comicidade. Valsa é tenso, duro, psicodélico. Persépolis expõe uma realidade irrespirável. Valsa é incisivo, mal-educado. Passar por ele é um choque. A história é simples: um diretor de cinema israelense quer reconstruir a própria memória da guerra do Líbano (1982). Quer juntar cacos, remendar feridas, costurar episódios soltos. Decide regredir no tempo depois de uma conversa com um amigo. Ari Folman, o diretor, está num bar, e o companheiro lhe conta: vem sonhando seguidamente com 26 cães. Eles percorrem as ruas da cidade, derruba...