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LIVRO DA SEMANA: "HO-BA-LA-LÁ"

Ho-ba-la-lá, à procura de João Gilberto , de Marc Fischer. Esqueçam João Gilberto, a Bossa Nova, o violão compassado, as vogais espiraladas como fumaça de cigarro, a boemia pegajosa e tudo o mais. Mesmo assim, Ho-ba-la-lá, à procura de João Gilberto (Companhia das Letras), de Marc Fischer, continuará sendo um livro não apenas interessante, mas “inelargável”. Do tipo que gruda nas mãos, cola na retina, apega-se ao tato. Com sorte, esse efeito só passará depois de percorrida a obra – umas poucas horas depois. Em resumo: Marc é um alemão alucinado por João Gilberto, “o coração da Bossa Nova” e centro nervoso a partir do qual se irradia toda a beleza da música. Para ele, Gilberto é um enigma insondável, uma esfinge alicerçada no mistério. Quem é João Gilberto? , pergunta-se frequentemente o autor, misto de detetive, jornalista e amante. A paixão pela música de João e uma dor de cotovelo braba são os responsáveis pela vinda do jornalista ao Brasil. Aqui, auxiliado por personagens...

Desabafo

O MUNDO PÓS-ROSA DA FONSÊCA QUANDO O MUNDO DA POLÍTICA ENCONTRA O MUNDO DA POLENTA, O DO PRIVADO E O DA PRIVADA. ENTENDA COMO O CAOS FENOMENOLÓGICO EM 2012 PODE AFETAR A SUA VIDA O cenário é de viscoso desalento. Crise do dólar, do futebol brasileiro, queda no nível do emprego e na renda da região metropolitana. Motins em Londres e Santiago, “primavera agreste” no Ceará, revoluções no mundo árabe, fratura exposta na guerra do Judiciário, curva ascendente da ejaculação precoce, prazer anal nos TTs. Iracema verde. Sem contar a reiterativa onipresença do milho verde na gastronomia local. E continua: depredação do patrimônio público (estátuas sem lança, sem óculos, sem bagos etc.), prevaricação, superpopulação indie , aumento do consumo de paçoquita, greve de PMs, apreensão recorde de AAS infantil, registro frequente de franco-atiradores nas redes sociais, escalada global de Paula Fernandes e de Michel Teló, escassez de combustíveis e de sexo, tendinite, faniquitos, xi...

Trecho de Roth

Combatemos nossa superficialidade, nossa falta de profundidade, de modo a tentarmos nos aproximar dos outros livres de expectativas irreais, sem uma sobrecarga de preconceitos, esperanças, arrogância, da forma menos parecida com o avanço de um tanque, sem canhão, sem metralhadoras e sem chapas de aço de quinze centímetros de espessura; a gente se aproxima das pessoas da forma menos ameaçadora, de pés descalços, em vez de vir raspando o capim com as esteiras do trator, recebe o que elas dizem com a mente aberta, como iguais, de homem para homem, como dizíamos antigamente, e mesmo assim a gente sempre acaba entendendo mal as pessoas.

Publicado na FSP dia 27/12/2011

VLADIMIR SAFATLE A década do desencanto Cada época tem um afeto que lhe caracteriza. Nos anos noventa, ele foi a euforia: marca de um mundo supostamente sem fronteiras, pós-ideológico e animado pelas promessas da globalização capitalista. Na primeira década do século 21 os ataques terroristas aos EUA conseguiram transformar o medo em afeto central da vida social. O discurso político reduziu-se a pregações, cada vez mais paranoicas, sobre segurança, perda de identidade e fim necessário da solidariedade social. No entanto, 2011 começou com uma mudança fundamental na dimensão afetiva. Pois novos laços sociais paulatinamente apareceram levando em conta a força produtiva do desencanto. Este é um dado novo. Desde o final dos anos 70, as sociedades capitalistas não tinham mais o direito de acreditar na produtividade do desencanto. Fomos ensinados a ver, no desencanto, um afeto exclusivamente ligado aos fracassados, depressivos e ressentidos; nunca aos produtores de novas formas. Em "Suav...

NousDeux the Band - La Chanson de Stella