Pular para o conteúdo principal

Postagens

Longe, longe

Ora, porá, porá, ora, se a vida não é exatamente essa correria sem rumo, esse farfalhar de folhas sem prumo, essa agitação gigantesca sem pé nem cabeça. Exatamente por isso decido agora parar na próxima esquina e esperar que o islã, que o capital, que o papa e o bispo e o meio ambiente assumam sensatamente que o tempo das grandes transformações já se vai longe.

StarDUST

Fui à igreja ontem. Espanto na sala. Fui, sim. É sempre interessante. É diferente. Há tanta gente acreditando na mesma coisa que saio comovido. Não exatamente comovido. Mas surpreso. Ainda que a premissa, ainda que a premissa... Não quero falar, mas A Premissa é Falha. E quase ninguém se importa com isso. Como se a Mensagem não lograsse êxito porque bem no início da transmissão uma antena danificada não permitisse que os sinais fossem decodificados. Ou como se, por falta de dinheiro ou interesse, do outro lado não houvesse comprado ainda o meu aparelho que converte os sinais em elementos inteligíveis. Por ora, por ora mesmo, é isso.

Tonturas da quinzena. Quero novena exclusiva

A segunda-feira é sempre um golpe duríssimo na vida de qualquer um. Como ser uma pessoa melhor? Como não chorar? O que é a angústia? Por que a sentimos? Ressaca da segunda? E quando vem na terça, o que faço? Mando voltar? Ninguém volta. Ninguém vem. Ninguém vai. Crise do macho, dos trinta, do novo século? Todas as crises juntas? Há verdadeiramente crises ou a vida é isso, movimento desarmonicamente variado? Sem ponto de referência. Sem sujeito. Apenas planos inclinados, lançamentos oblíquos, forças que empurram para cima contrapondo-se às que empurram pra baixo. Tudo isso deixa tonto.

Ainda DFW

Aqui, aqui , um texto fabuloso.

A madrugada é dos crentes

Tem dias que a gente acorda no meio da noite sem motivo, sem desculpa vai e levanta, vai e desperta, vai e não quer apenas aliviar alguma dor, mas encará-la duramente porque na madrugada não há esconderijos, tudo se mostra, tudo é gravidade, e se no corredor ouvem-se passos e se no telhado ouvem-se gritos e na janela entrevêem-se vultos, há que os ouvir, tatear, mesmo sufocando calores da noite, mesmo desejando fortemente que as duas horas que ainda restam sumam feito pó soprado por ventania, porque, se a madrugada tem modos diversos de operar, se ela atravessa medos e agonias é minimamente razoável aceitar tudo que sobrevier. E enxergar o que está adiante, que é existir.