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Entrevistem o vampiro, por favor

Ontem, ainda ontem dei entrevista. Perguntaram-me de que maneira conciliava a faculdade e a vida de escritor. Sugeri nova pergunta: como conciliar a bebedeira e o trabalho? Não tenho vida acadêmica há pelo menos cinco ou seis anos. E o que chamam Vida de Escritor, que não é aquele livro do Talese, é algo que digo “Sinceramente, passei pela calçada mas não vi”. Porque não sei ser escritor. Sei escrever, e mal, gosto de escrever, e mal. Não quero tempo sobrando, quero compromissos e agenda apertada. Nenhuma obra de vulto. Quero vultos na cozinha. Nenhum volume, mas livrinhos finos cheios de mim. Não quero ser assim. Quero ser jornalista. Profissão digna, digna. Bonita, ainda que cheia desse tipo mentiroso. Nem sei se quero mesmo continuar escrevendo. Mas é que o batuque é tão... Apazigua a minha alma. E ler é tão... Gosto, levo adiante. Mas poderia viver sem. Não vivo sem suco de caju. Sem literatura, sim. Sem escrever, não. Vários dias atrás, estava sem internet, doente, desvalido. E se...

Meu coração é e não é brinquedo

Ainda bem que não disse... Porque meu coração quebra fácil. É brinquedo frágil. Mas tem cola. Tem coisas que não se consertam. Porque não há cola pra isso. Mas quando se é brinquedo sempre tem cola. Talvez... Mas já tive carrinhos sem conserto... Além disso, depois que quebram, eles deixam de ser brinquedos, ficam imprestáveis. Ao menos pra quem gostava de brincar antes. Sabia que criança gosta é de cacareco? ... Criança gosta é de cacareco, brinquedo quebrado, boneca sem braço. Moça, eu tô morrendo de rir. Mentira. Sério. Estava rindo sozinho aqui. Vou salvar e colocar tudo isso no blog. Posso? Pode.

Far, far, far...

Here, here.

Michael?!

“Eu sou tanta gente dentro de mim borbulhando feito refrigerante quando se abre a tampa.” Quem escreveu isso foi a Lília Oliveira. Falem com ela bem aqui . Visitem, conversem. Perguntem: o que acha dos fogos de artifício que se formam atrás dos olhos? Agora, não sei. Gosto, sim. Perturbam. Se vejo, os olhos fecham. Não enxergam. Se vejo, tenho pensamentos descosturados. FALANDO SÉRIO. No sábado, tentei dançar. Fiz dois pra cá, dois pra lá. A noite inteira. No fim, o nariz sangrou. Também levei pisões no pé, discuti, comprei briga, balancei os braços, prendi-a pela cintura. Levei um soco bem no meio da cara. A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a dor esfriou. Anotei a placa num pedaço de guardanapo. Tudo mentira, claro. O que é verdade: estou aqui. Ontem sonhei que dançava moonwalker perfeitamente. Deslizava num piso de taco encerado. Tudo bonito. Sensação gostosa, muito gostosa. Depois acordei. E o dois-pra-lá-dois-pra-cá caiu como uma cortina de ferro sobre a minha cabeça.

Lua nova...

Na Lua Nova , ontem. Foi bom. Foi legal. E ainda tive de responder a seguinte questão: por que jornalistas mentem? Abraço...

Ela volta, volta...

Uma semana depois. Nada muda: Sarney fica, Mulungu ainda está lá. Belchior sumiu? Dizem as línguas. Eu estou aqui. Não estou lá. Fico por amor. Tinha de sair, mas resolvi ficar. Ela entende. Entende que deixo tudo pra trás se ela quiser viajar até a padaria da esquina e tomar café com leite a noite inteira. Se ela quiser, eu quero. E tem sido assim há pelo menos dez gerações. Estou aqui. Voltando aos poucos, devagar. Do jeito que convém.