Tenho evitado resoluções de ano novo, mas estranhamente isso tem soado como resolução de ano novo, de modo que a determinação de não se conduzir por qualquer diretriz, mesmo indeterminada, acaba ganhando ares resolutivos, o que contraria minha intenção irresoluta e estabelece um paradoxo com o qual não gostaria de começar 2026.
Qual paradoxo? O de traçar objetivos ou metas sem desejar de fato alcançá-las, e até eventualmente alcançando-as, mas sem dar por mim, o que não seria o mesmo que atingi-las. Afinal, é preciso algum grau de consciência do percurso, e não apenas consciência, mas de desejabilidade.
Dito isso, admito que, se fosse escrever uma resolução, e não estou dizendo que escreveria, apenas que se fosse escrever seria a de não ensaiar qualquer tipo de lista.
Sobretudo não enumerar razões pelas quais escrever ou indicar leituras ou sugerir filmes e séries, embora seja um consumidor voraz tanto de livros quanto de séries e mais ainda de livros sobre listas e listas sobre livros e séries, ou seja, séries de listas, que se multiplicam agora que todos estão no Substack confeccionando suas próprias listas.
Arrisco a dizer que leio mais hoje orelhas e textos introdutórios do que propriamente as leituras que deveria ler, mas quero enterrar isso em 2025, isto é, o fato de que o tempo escasseou de vez e agora só tenho fatias ralas cobertas com pouca manteiga, com as quais preciso me virar, e é o que tenho feito, devorar essas fatias finas, prolongando o ato por si.
Comentários