Há por toda parte listas de tipos variados, de filmes a livros, de séries a episódios embaraçosos de 2025, ano por si esquisito e marcado por eventos cuja variedade eu não ousaria tentar sintetizar, talvez por me considerar insuficientemente dotado para essa tarefa.
Eu vejo essas listagens e me sinto desalentado, claro, porque não li a metade da pilha de livros que imaginei que teria condições de ler e também porque, na verdade, não vi os 365 dias passarem, salvo quando houve esses momentos de atropelo ou de grande comoção, nos quais as rotinas se estancam e todos se entreolham mais ou menos espantados, mesmerizados mesmo.
Não lembro de tantos momentos assim, para ser sincero, mas a sensação que fica é a de esgotamento e excesso, embora não consiga situar com precisão a origem desse sentimento de que as forças se exauriram aos poucos até chegar ao volume morto, numa lenta saturação da qual não fui capaz de escapar, como uma colisão premeditada.
Talvez esteja na água, não sei, talvez no ar ou na comida, como um cordyceps, um fungo que, progressivamente, compromete as energias e drena a disposição e a capacidade de distinguir o que interessa do que é apenas espuma.
É possível que tenha relação também com essa impossibilidade cada dia maior de não saber se a foto ou vídeo de alguém é de verdade ou é IA, como se o real estivesse permanentemente sendo posto à prova, falseando, falhando sob nossos pés, e isso por si é uma atividade que consome bastante energia, digo, ter de se certificar de que o que se tem diante dos olhos é de verdade.
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