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A última do ano

 

Pensei no que escrever, em listar razões pelas quais escrever sem necessariamente recorrer a listas de melhores, tampouco de piores do ano, mas resisti ao impulso de enumerar motivos, o que em tese seria um motivo.

Agora mesmo escuto apenas o barulho do esguicho do sistema hídrico acionado mecanicamente a intervalos para regar as palmeiras espaçadas no jardim projetado por um engenheiro mais de uma década atrás, quando os fundamentos da obra se assentaram e logo um exército de trabalhadores começou a forcejar para erguer o prédio no tempo calculado.

O tempo certo para a conclusão da obra, cumprindo etapas previstas e contornando intercorrências já previamente anunciadas lá atrás, tudo perfeitamente dentro do que se havia estabelecido como o plano de operação.

O edifício no lugar vazio onde antes se espremia um punhado de casas pequenas semiconservadas cuja fachada variava entre o azul, o amarelo e o branco, cores de intensa capacidade reflexiva e que devolvem rapidamente o olhar de quem se atrevia a demorar nesse exercício de capturar um retrato enquanto passeia pela rua.

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