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Uma opinião pessoal minha



Às vezes calho de gostar de redundâncias, de repetições gratuitas, exageros, partículas cuja função é realçar o que já tem relevo ou explicitar o que está evidente, o tipo de gordura que os editores eliminam na primeira leitura, que eu eliminaria num dia de mau humor, mas não agora, não hoje, não neste momento, neste domingo.

Lá fora há crianças na piscina desafiando-se em saltos desajeitados registrados em celulares por pais e mães diligentes que sofrem de FOMO se não estiverem flagrando cada pequeno instante do crescimento de seus filhos, numa afetividade quase performática, sempre disposta a projetar o que os pequenos têm de melhor para o mundo e também o quanto são pais zelosos que administram zelosamente o progresso de sua prole.

Naturalmente também sou assim, também fotografo e gravo minhas filhas às voltas com toda trivialidade, brincadeiras e garatujas verbais que inventam, a mais velha por sua graça e inteligência e a mais nova porque está aprendendo a falar.

De modo que a paternidade é também exagerada e redundante, mas isso é apenas uma “opinião pessoal minha”, talvez minha frase preferida a expressar de muitas maneiras o que estou tentando dizer com essa história de reafirmar o que já foi dito sem que haja de fato necessidade.

Ou seja, “opinião” já é por si um juízo particular, concordam? No entanto, essa é uma qualidade que ganha amparo com “pessoal” se ainda havia alguma dúvida de que o que eu dizia era da ordem interior, tudo convergindo finalmente para “minha”, que reitera pela segunda vez o caráter intransferível do que se fala, isto é, que repete a repetição segundo a qual o que formulo constitui algo terrivelmente pessoal e de foro íntimo, não podendo ser atribuído a quem quer que seja além de mim. 

Afinal, é o que uma “opinião pessoal minha” quer dizer ao pé da letra. Que, além de dar uma opinião, trata-se de uma opinião pessoal, que, não por acaso, ocorre também de ser minha, a despeito de toda impossibilidade de imaginar uma opinião pessoal que não pertença a quem a proferiu, mas a outra pessoa ou mesmo a um ente inanimado.

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