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Chamada de Birigui


Tenho pra mim (expressão consagrada pelo pai sobre a qual devo escrever em algum momento) que essas ligações todas que recebemos com DDD de São Paulo, isso não é boa coisa.

Outro dia foi de Birigui, palavra-cidade que só lembro de ter ouvido na boca do Silvio Santos, naquele programa de casais, o Namoro na TV.

Faz tempo. Era coisa constrangedora, mas muito divertida. Os homens e mulheres se postavam em lados opostos, enfileirados, já de antemão mirando-se de esguelha. Munidos de binóculos, confirmavam depois as impressões iniciais, se os pretendentes eram de fato bonitos ou se havia sido apenas um engano, como acontece ainda hoje, quando a presença real não bate com a imagem projetada pelo dito-cujo nas redes sociais.

Seguia-se então o baile, durante o qual os interessados papeavam e até arriscavam um beijo. E, ao cabo da dança, o veredicto, que era proferido sempre pela mulher: sim, quero namorar, não, não quero namorar, e o rapaz ali, com cara de tacho, como dizia minha vó, que não sentia pena, mas dava gargalhada nessas horas.

Pois bem. Ali, naquela encenação toda, o SS calhava de gozar com o município de origem dos participantes, como bom sádico que era e é. E, numa dessas, lembro de Birigui. Nome sonoro, com feitio de ave exótica, nunca mais o esqueci. E toda vida que me ligam agora e vejo no celular que é chamada originada em Birigui, me pergunto se se trata de uma pegadinha do Silvio Santos.

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