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Um sítio no coração

Anotei essa frase. Era o título de algo, um conto talvez. Uma novela. Nada de enredo ou personagens, talvez uma ou outra coisa acontecendo em meio a tantas outras que não acontecem.

Gostei do sítio. É uma palavra bonita, quer dizer tanto. Um lugar de passagem, de pouso. É também como os portugueses chamam site, esse espaço virtual por onde nos deslocamos como se fosse a realidade. O simulacro de algo, portanto, mas também um tipo de estância. 

O sítio no coração, então, é um enclave físico e virtual no centro afetivo, um fluxo de memórias e sentimentos expandindo-se e contraindo-se. Sístole e diástole, os dois movimentos básicos de vida e morte.

Era uma frase perdida num caderno esquecido na mochila até dar com uma imagem. Um coração suspenso na areia. Tudo ganhou sentido, ou talvez eu apenas ache que sim, mas, no fundo, as coisas continuem um pouco enevoadas.

O coração no mar tem umas janelinhas coloridas. Como se fosse a casa. Exatamente o mesmo nome do livro que eu me punha a ler naquele momento.

É sempre uma surpresa quando as pontas soltas de qualquer história se atam inexplicavelmente. Um clarão de qualquer coisa. Um pouco de alegria. Uma licença, uma brecha, uma folga.

Morar nas entrelinhas. Foi nisso que pensei quando vi a imagem, que não reproduzo aqui apenas porque sempre pensei que a palavra deveria bastar.

A palavra sempre basta, costumo repetir. É um engano. A palavra é apenas começo. 

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