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Sem balançar a cabeça

Então foi lá e fez. 

Sentiu algum alívio, mas depois ficou se perguntando puta merda, de novo? Essa sensação esquisita logo desapareceu. 

Apertou alguns botões, registrou chamadas, atendeu ligações, almoçou, voltou, tomou o café e reviu documentos que vai precisar pra dar entrada na casa e os horários dos filmes no fim de semana, tem uma sessão vinte horas, acho que dá pra gente. 

E foi aí que viu que o incômodo, antes presente como uma alergia, já não existia, então foi lá e fez de novo, lamentou de novo, perguntou-se novamente como podia, como tinha coragem, como jamais se arrependia mesmo, pra valer, mas desta vez parecia sentido de verdade, uma nuvem escura estacionada no rosto e as costas curvadas e essa mancha na alma que distingue o criminoso. 

Até que, mal acordou, fez novamente, foi surpreendente porque desta vez não sentiu culpa, pelo contrário, até gostou de fazer.

E na hora de dormir pensando que tudo é um pouco estranho, e é mesmo, concordou, sem balançar a cabeça nem nada. 

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