As quatro amigas estavam ali, sorriam, as quatro amigas
vestiam preto e tinham, olha a coincidência, um busto dos grandes, acho que
bustos dos grandes é mais certo gramaticalmente, as quatro amigas se conheceram
naquela noite e já se tornaram as melhores amigas, as quatro amigas, duas tinham casado e separado, passavam dos
35 anos, uma tinha 24 e namorava uma garota de 21 até o mês passado mas agora
preferia estar sozinha e curtir a companhia das outras amigas, uma namorava
firme havia cinco anos e até que se provasse o contrário era coisa pra casar, um
bancário ou médico, um desses caras sérios que dão bons maridos, as quatro amigas mais ou menos fiéis umas às
outras, menos uma delas, que tinha cintura fina e pernas bonitas, as três
amigas invejavam as pernas da quarta amiga.
Desejo para 2025 desengajar e desertar, ser desistência, inativo e off, estar mais fora que dentro, mais out que in, mais exo que endo. Desenturmar-se da turma e desgostar-se do gosto, refluir no contrafluxo da rede e encapsular para não ceder ao colapso, ao menos não agora, não amanhã, não tão rápido. Penso com carinho na ideia de ter mais tempo para pensar na atrofia fabular e no déficit de imaginação. No vazio de futuro que a palavra “futuro” transmite sempre que justaposta a outra, a pretexto de ensejar alguma esperança no horizonte imediato. Tempo inclusive para não ter tempo, para não possuir nem reter, não domesticar nem apropriar, para devolver e para cansar, sobretudo para cansar. Tempo para o esgotamento que é esgotar-se sem que todas as alternativas estejam postas nem os caminhos apresentados por inteiro. Tempo para recusar toda vez que ouvir “empreender” como sinônimo de estilo de vida, e estilo de vida como sinônimo de qualquer coisa que se pareça com o modo particular c...