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O Eldorado


Acima, a bondgirl Ursula Andress procura qualquer coisa, mas só encontra duas conchas. 


Eu também poderia ficar um ano distante da internet, uma temporada inteira sem acessar emails ou checar mensagens certamente purificaria a alma, revelaria o cálice dourado, desintoxicaria o espírito, animaria o sujeito a empreender, revelaria finalmente por que estamos aqui, o tracejado do caminho subitamente iluminado como uma saída de incêndio de cinema.  

Depois dessa aventura, regressaria para contar como foi tudo, um explorador às avessas, alguém que vai não em direção ao novo mundo, mas ao velho, e constata que, longe dali, das curtidas e links, do bate-papo virtual, tudo permanece igual e que, lá ou cá, o drama é o mesmo, a dificuldade, a mesmíssima.

No elevador penso na roça; na roça, no elevador. O Drummond é que sabia das coisas. Não de tudo, apenas de algumas.

Agora todo mundo quer tirar algum proveito da vida offline. Não demora e surgem os guias da vida fora da rede, os manuais, receitas etc. 

O Eldorado era só uma brincadeira. 

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