Enquanto
não vinha, enquanto esperava, pedi que piscasse, vamos, quero vê-la piscar, não
uma nem duas, mas três ou seis ou nove vezes, regime de progressão assimétrica,
era um desafio, era bonito vê-la enrugar o cenho, meninice evidente, “tô
tentando, tô tentando”, tenha calma, fingia aperrear-se e ria, ria, é pra já, era
noite, era frio, era quente, o tempo de setembro provando ser mais que um
triângulo das bermudas perdido no calendário, um instantinho de felicidade dura
para sempre, um instantinho de felicidade – olhos piscando – é maior que
qualquer felicidade.
Desejo para 2025 desengajar e desertar, ser desistência, inativo e off, estar mais fora que dentro, mais out que in, mais exo que endo. Desenturmar-se da turma e desgostar-se do gosto, refluir no contrafluxo da rede e encapsular para não ceder ao colapso, ao menos não agora, não amanhã, não tão rápido. Penso com carinho na ideia de ter mais tempo para pensar na atrofia fabular e no déficit de imaginação. No vazio de futuro que a palavra “futuro” transmite sempre que justaposta a outra, a pretexto de ensejar alguma esperança no horizonte imediato. Tempo inclusive para não ter tempo, para não possuir nem reter, não domesticar nem apropriar, para devolver e para cansar, sobretudo para cansar. Tempo para o esgotamento que é esgotar-se sem que todas as alternativas estejam postas nem os caminhos apresentados por inteiro. Tempo para recusar toda vez que ouvir “empreender” como sinônimo de estilo de vida, e estilo de vida como sinônimo de qualquer coisa que se pareça com o modo particular c...