Uma vez surpreendeu a mãe rindo só na cozinha, foi perguntar o que era, a mãe fechou-se, só achando graça das besteiras do teu irmão, menino, o que ele fez, mãe?, nada, deixa pra lá, o pai ainda não tinha chegado do trabalho, era de madrugada, domingo, três da manhã, de repente o sorriso transformou-se em mistério e aquela mulher na cozinha, num completo alienígena, ligou a TV, adormeceu uns minutos depois. O pai não tinha voltado, a mãe agora fazia café.
Desejo para 2025 desengajar e desertar, ser desistência, inativo e off, estar mais fora que dentro, mais out que in, mais exo que endo. Desenturmar-se da turma e desgostar-se do gosto, refluir no contrafluxo da rede e encapsular para não ceder ao colapso, ao menos não agora, não amanhã, não tão rápido. Penso com carinho na ideia de ter mais tempo para pensar na atrofia fabular e no déficit de imaginação. No vazio de futuro que a palavra “futuro” transmite sempre que justaposta a outra, a pretexto de ensejar alguma esperança no horizonte imediato. Tempo inclusive para não ter tempo, para não possuir nem reter, não domesticar nem apropriar, para devolver e para cansar, sobretudo para cansar. Tempo para o esgotamento que é esgotar-se sem que todas as alternativas estejam postas nem os caminhos apresentados por inteiro. Tempo para recusar toda vez que ouvir “empreender” como sinônimo de estilo de vida, e estilo de vida como sinônimo de qualquer coisa que se pareça com o modo particular c...
Comentários