Uma saída talvez fosse anotar, de próprio punho, cada ideia mirabolante que tivesse, e por ideia mirabolante entendam o gérmen de um romance, os nomes das três filhas, título de um filme que pretenda dirigir quando estiver uma década mais velho e nada lhe parecer disparatado, algum recorte de diálogo, uma frase engraçada para o Twitter, uma piada, um causo para os momentos de tensão entre empregado e chefes, uma narrativa satírica e outra cujo final inspire uma porção ao menos rala de fé no progresso.
Desejo para 2025 desengajar e desertar, ser desistência, inativo e off, estar mais fora que dentro, mais out que in, mais exo que endo. Desenturmar-se da turma e desgostar-se do gosto, refluir no contrafluxo da rede e encapsular para não ceder ao colapso, ao menos não agora, não amanhã, não tão rápido. Penso com carinho na ideia de ter mais tempo para pensar na atrofia fabular e no déficit de imaginação. No vazio de futuro que a palavra “futuro” transmite sempre que justaposta a outra, a pretexto de ensejar alguma esperança no horizonte imediato. Tempo inclusive para não ter tempo, para não possuir nem reter, não domesticar nem apropriar, para devolver e para cansar, sobretudo para cansar. Tempo para o esgotamento que é esgotar-se sem que todas as alternativas estejam postas nem os caminhos apresentados por inteiro. Tempo para recusar toda vez que ouvir “empreender” como sinônimo de estilo de vida, e estilo de vida como sinônimo de qualquer coisa que se pareça com o modo particular c...
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