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Numa galáxia muito distante


É preciso achar lugar no peito para as frustrações.

Não temos tempo, então é fundamental que seja aqui, agora, sem maiores cerimônias, sem dança da chuva ou cantigas de ninar. Tem que ser rápido, cada pessoa tem essa coisa de refúgio, refugiar-se em algum lugar de sua predileção, um canto sagrado repleto de objetos que traduzam a ideia de tranquilidade e reforço do self, ou, ao contrário, bangalozinho absolutamente despojado, despido, espaço destinado à jornada “eu” adentro, o habitante da casa silenciosa, dos sítios, da barraca à beira da praia, da choupana, o ente em trôpega caçada de si e de meia tigela de sentido.

Tenha dó, tenha dó.

Mas, e se não houver refúgio? O que acontece? Nada.

Um planeta foi encontrado orbitando dois sóis. Firmas de protetor solar, estejam avisadas. Um policial foi encontrado morto nas franjas da cidade. Um ministro caiu. Meningite continua matando. Cientistas suspeitam que a Via Láctea tenha se formado a partir da deglutição de outras galáxias menores, contrariando teoria segundo a qual nossa galáxia-residência viera de um único aglomerado de gases, estrelas rodopiantes e uma força gravitacional barbarizante.

Quem diria.

Hoje é sexta-feira, há trabalho por fazer e páginas a serem percorridas na volta, na volta, na volta, os melhores sonhos, as melhores promessas ficam quase sempre pra volta.

Namastê.

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