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BADSOBAD


Se nunca tiveram uma badtrip depois de comer dois gostosinhos e beber um copo de suco de maracujá, eu garanto: é basicamente a mesma sensação provocada por uma badtrip de drogas, cerveja misturada com uísque ou a de uma maratona de Friends acompanhada de cachorro quente e vodka.

Absurdo, certo.

O lado péssimo de se ter uma badtrip de gostosinhos, que são sanduíches feitos com carne moída (wow!) bastante temperada espremida dentro do carioquinha ou de qualquer outro tipo de pão, é que a principal vítima é o estômago, órgão bem mais sensível que o cérebro. Madrugada adentro, os nervos da barriga se contorcem a cada nova onda, que leva em média 25 minutos para se repetir, e fatalmente se repete. É quando o travesseiro parece feito de pedra, o lençol não aquece, o quarto ganha uma luminosidade espectral e os sussurros do lado de fora podem ser um esquadrão da morte pretendendo riscar da lista negra homens na faixa dos 25 aos 35 anos que jamais investiram um minuto sequer do seu tempo para tirar carteira de motorista.

Eu era um deles. Sou, ainda, e, portanto, estava na lista dos caras.

Outro ponto bem negativo de uma badtrip de sanduíche é que ela inevitavelmente nos levará ao banheiro, onde passaremos uma boa fração do tempo ao longo da madrugada, tempo esse que servirá principalmente à reflexão: quem somos? O que sou? O que faço com minha vida? Terei futuro? Aonde foram parar os meus sonhos de menino? Tenho em mim todas as doenças do mundo?

É quase deprimente, a vantagem é que passa. Se tiver sorte, uns remédios resolvem a parada ligeiro. Como não tinha remédios, muito menos sorte, a viagem foi das 3 às seis da manhã, período no qual passei em revista minha vida, os filhos que ainda não tive, as jornadas que não pratiquei, os esportes que não aprendi, as línguas que não dominei, a impossibilidade da comunicação entre seres da mesma espécie, a saída de Steve Jobs da Apple.

Ainda tive tempo pra ficar com uma música bem chata zunindo na cabeça enquanto me revirava de um lado pro outro na cama, deparando à direita com o abismo cujo fundo é o piso mal assentado do apartamento e à esquerda com as costas alvas da minha namorada, que a essa altura da vida roncava a sono solto.

Comecei a contar essa história pra dizer mais ou menos o seguinte: tenham cuidado com o que comem. Principalmente hoje em dia.

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