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Confesso ao abismo

Apresso-me a dizer que fui errado na maior parte do tempo, tomando por errado o agir em desconformidade com o que se espera, a moral em voga, aceita ou não pela maioria, acrescento também não haver cogitado seriamente proceder de modo variado quando me vi ameaçado ou quando meus interesses estavam em jogo, dito isso, vejam que coisa, parece até fui o mais danoso dos tantos infames que me cruzaram o caminho, ora, longe disso, de memória serei capaz de recordar dois ou três mais destacados cujas realizações superam as minhas em aspereza e danos ao próximo.

De maneira que, se me ponho a falar, é, talvez, na intenção de purgar tardiamente esses pecadilhos para que não se engradeçam com o passar do tempo e também para que, chegando o futuro, não me atirem as pedras colhidas no passado, atividade a qual costuma se dedicar uma fatia social formada tanto por imbecis quanto por homens de inteligência acima da média, o que não deixa de ser fator de desalento.

Dito isso, farei mais uma observação, que é a seguinte, de nada adianta o que quer que seja, salvo para nós mesmos, quando muito, repito, QUANDO MUITO, vez que: mesmo o que está escrito é lido conforme a vontade e disposição, e o que não está, bem, trata-se de algo realmente em péssima situação, quero dizer, algo cuja sorte é absolutamente quebradiça.

Como não pretendo converter esse bilhetinho em carta de más intenções, convém refrear desde agora o desejo em ver-nos a todos de máscaras enviesadas, o elástico afrouxado, quase a desfazer-se na parte de trás da cabeça, demonstrando a quem pretenda entender que a fachada de cavalheiro é apenas indumentária momina, não lhe cai bem, reconheçamo-lo, assim como também jamais coube perfeitamente em minha cabeça.

Boa Páscoa, ótimas festas.

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