Que se escreva não à noite, mas durante o dia, por
alguém que acredite ser noite e não dia, que troque as horas e as luzes, que
confunda claro e escuro e de vez em quando até nem veja diferença entre uma coisa
e outra, estando e não estando, alguém cuja falta de capacidade para distinguir
mudanças climáticas e pequenas alterações não seja um embaraço, um fardo, mas
um motivo de alegria, um contentamento qualquer como dinheiro encontrado no
bolso da calça dobrada no espaldar da cadeira.
Desejo para 2025 desengajar e desertar, ser desistência, inativo e off, estar mais fora que dentro, mais out que in, mais exo que endo. Desenturmar-se da turma e desgostar-se do gosto, refluir no contrafluxo da rede e encapsular para não ceder ao colapso, ao menos não agora, não amanhã, não tão rápido. Penso com carinho na ideia de ter mais tempo para pensar na atrofia fabular e no déficit de imaginação. No vazio de futuro que a palavra “futuro” transmite sempre que justaposta a outra, a pretexto de ensejar alguma esperança no horizonte imediato. Tempo inclusive para não ter tempo, para não possuir nem reter, não domesticar nem apropriar, para devolver e para cansar, sobretudo para cansar. Tempo para o esgotamento que é esgotar-se sem que todas as alternativas estejam postas nem os caminhos apresentados por inteiro. Tempo para recusar toda vez que ouvir “empreender” como sinônimo de estilo de vida, e estilo de vida como sinônimo de qualquer coisa que se pareça com o modo particular c...