Eu vi o rio e ele corria ao contrário. Ou simplesmente
não corria, ficava parado, olhando pros lados, à procura sabe-se deus de quê, o
certo é que procurava, e logo retomava a corrida, agora em movimentos
espasmódicos, nada da fluidez e a qualidade caudalosa anteriores, o rio, esse
rio que eu vi numa quarta-feira de janeiro há tanto tempo que começo a duvidar,
corria para todos os lados e nenhum.
Desejo para 2025 desengajar e desertar, ser desistência, inativo e off, estar mais fora que dentro, mais out que in, mais exo que endo. Desenturmar-se da turma e desgostar-se do gosto, refluir no contrafluxo da rede e encapsular para não ceder ao colapso, ao menos não agora, não amanhã, não tão rápido. Penso com carinho na ideia de ter mais tempo para pensar na atrofia fabular e no déficit de imaginação. No vazio de futuro que a palavra “futuro” transmite sempre que justaposta a outra, a pretexto de ensejar alguma esperança no horizonte imediato. Tempo inclusive para não ter tempo, para não possuir nem reter, não domesticar nem apropriar, para devolver e para cansar, sobretudo para cansar. Tempo para o esgotamento que é esgotar-se sem que todas as alternativas estejam postas nem os caminhos apresentados por inteiro. Tempo para recusar toda vez que ouvir “empreender” como sinônimo de estilo de vida, e estilo de vida como sinônimo de qualquer coisa que se pareça com o modo particular c...