Era buscar qualquer coisa, o que traria? Um objeto? Seguramente não, fosse de querer mergulho para dentro, saber-se preenchido de que fluido, enfim, esgaravatar as dobras próprias, com que intuito, tinha por magoar a carne uma necessidade que agora dormia na rubrica do incômodo. No mais, a medida dos dias passava ao largo do entendimento, ansiava, ansiava, mas era assim que procedia, permitindo-se o susto preciso, a paixão doméstica, carga de felicidade comparável ao tamanho que havia de ser para sempre, nem mais, nem menos. Um fatalismo cheio de esperança.
Tempo sem medida, tempo todo afeito ao estranho.
Desejo para 2025 desengajar e desertar, ser desistência, inativo e off, estar mais fora que dentro, mais out que in, mais exo que endo. Desenturmar-se da turma e desgostar-se do gosto, refluir no contrafluxo da rede e encapsular para não ceder ao colapso, ao menos não agora, não amanhã, não tão rápido. Penso com carinho na ideia de ter mais tempo para pensar na atrofia fabular e no déficit de imaginação. No vazio de futuro que a palavra “futuro” transmite sempre que justaposta a outra, a pretexto de ensejar alguma esperança no horizonte imediato. Tempo inclusive para não ter tempo, para não possuir nem reter, não domesticar nem apropriar, para devolver e para cansar, sobretudo para cansar. Tempo para o esgotamento que é esgotar-se sem que todas as alternativas estejam postas nem os caminhos apresentados por inteiro. Tempo para recusar toda vez que ouvir “empreender” como sinônimo de estilo de vida, e estilo de vida como sinônimo de qualquer coisa que se pareça com o modo particular c...
Comentários