Alimento sempre uma desconfiança profilática em relação a certas palavras e conceitos, tais como wellness e maxxing, ambas pertencentes ao mesmo campo semântico, isto é, o das tendências de bem-estar que proliferam rapidamente na internet como soluções para tudo, mas que acabam se mostrando doentias.
Tome-se “wellness”, por exemplo, carro-chefe de avanços na arquitetura e no paisagismo, na ginástica laboral e nos desenhos com tinta guache, no desenvolvimento de aplicativos e na decoração de interiores, na vestimenta e nos cuidados com pets.
Não se tropeça mais na rua sem antes atentar para as condições de bem-estar físico e psicológico, regras mediante as quais o bicho humano se converte nesse cristalzinho delicado que precisa estar sendo constantemente metrificado por gadgets e paparicado por luminárias otimizadas para funcionar num ritmo circadiano e outras baboseiras do tipo high tech.
Enfim, é um mundo que se abre quando a ponta do iceberg desse esquema de pirâmide wellness se traduz em quinquilharias e começa a se tornar então visível, como faço agora, apenas por curiosidade patológica, ao me submeter a horas de leitura sobre melhorias pessoais a partir da cromoterapia.
O maxxing não fica atrás, pelo contrário, está sempre na frente, tentando aprimorar skills ainda em gérmen ou pouco desenvolvidas ou apenas sugeridas na vida de qualquer betinha.
E assim nascem as muitas modalidades que se agregam a esse sufixo em língua inglesa cuja função é obviamente “maximizar” – um verbo da hora, pronto para toda parada.
Do físico ao estudo, das leituras ao amor, da fé à ioga, do aprendizado de uma língua à escrita, enfim, tudo é passível de uma potencialização ao extremo, que é o que significa maxxing, ou seja, fazer um altíssimo investimento numa área qualquer da vida ao ponto crítico.
Marteladas no queixo para modelar a ossatura maxilar, por exemplo, ou dietas e regimes monásticos para se encaixar num perfil específico, não importa.
O que interessa aqui é a sedução da dedicação sobre-humana a uma tarefa cuja força motriz é a crença inabalável na própria capacidade de se autoaperfeiçoar ad nauseam, como um sistema operacional que se atualiza nessa onda de “updatismo”.
De longe, bem de longe, soa até como “estilo de vida” razoável, mas é coisa de gente maluca que acaba levando a um lento e irreversível processo de sabotagem da autoestima e a uma adesão à medicalização como resposta às próprias angústias.
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