Atravessávamos de barco de ponta a ponta, do outro lado o banho era mais fácil, não sei se mais fácil, mas era o nosso canto da praia, era a nossa praia, não íamos para outra praia, apenas essa. O pai não estava, somente a mãe, eu e ela, os irmãos não tinham nascido. O melhor era essa travessia, no entanto, o barulho do motor, o flutuador, o condutor, punha a mão na água para sentir a onda à passagem do barco. Do outro lado a praia era como qualquer outra, lembro que um dia um desses barquinhos menores perdeu o controle e avançou sobre uma criança que estava na beira se banhando. Como um barco perde o controle? Houve gritaria, um susto, como numa cena de Tubarão, quando as famílias estão deitadas na areia observando as meninas e os meninos brincarem, mas em vez disso a mancha de sangue era por outro motivo, não havia uma criatura atacando, apenas o motor do barco que havia se desgovernado. A mãe também gritou? Não lembro. Eu estava na areia, não corri perigo, ou corri porque es...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)