“Hora de voltar, Carlos!”, diz a mensagem da academia num apelo amoroso, como a implorar que reatássemos um casamento ou namoro depois de quanto tempo? Já nem sei, e talvez seja melhor que permaneça assim, cada qual no seu quadrado, os aparelhos e halteres de um lado e eu do outro. Dias antes, porém, a plataforma de filmes e séries que eu havia assinado por quase três anos ininterruptos dissera à queima-roupa, depois de um desfecho de relação abrupto, ao qual se seguiu um hiato durante o qual nem ela nem eu proferimos qualquer palavra: “estou com saudades de você”. Assim mesmo, tudo em caixa baixa, intimista como postula a Noemi Jaffe, uma voz tão cuidadosa e familiar que de repente soa como uma canção perdida de Los Hermanos. O que leva uma máquina a se abrir com tamanha coragem para um estranho ou alguém cuja vida ela julga conhecer e de quem se sente não somente próxima, mas apaixonada? Deixo a questão de lado. A loja de roupas onde havia comprado uma camiseta por 59 reais e...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)