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Mostrando postagens de abril 7, 2026

A nova linguagem

  Tenho saudades de quando a gente separava o verbo do predicado com uma vírgula exasperante, que caía na frase como um cisco no olho, ardia na pele como vinagre na ferida e embrulhava o estômago como cheiro de murici. A gente era feliz e não sabia. Afinal, nada era mais humano do que o erro grosseiro, a falta da crase ou a crase mal empregada, o “porquê” junto que devia estar separado ou separado quando junto, com acento quando a norma culta previa sem e por aí vai. Enfim, toda sorte de anglicismo ou barbarismo ou qualquer atropelo de escrita que, embora condenado por professores de português, revelava-se humano, demasiadamente humano, nada mais que humano. E hoje? Hoje é diferente, a linguagem cheia de uns automatismos canhestros, uma hipercorreção, um cerebralismo aparvalhado, palavras e construções de sintaxe estranha que não parecem ter saído da cabeça de ninguém, mas da mente coletiva de uma IA cuja matéria-prima é ainda o que os humanos escreveram, mas logo será o que as pró...